De novo vou defender as mulheres que fogem dos padrões rígidos da estética: magra, alta, cabelos sedosos e aquela carinha de donzela. E vou defendê-las porque cresci escutando que precisava emagrecer, ter cabelos longos e fazer qualquer tipo de esporte que me deixasse mais esguia. Passei minha infância e adolescência ouvindo das pessoas que me apontavam ‘‘ali perto da gordinha’’. E se por um lado eu ficava chateada com a situação, também não tomava vergonha e continuava seduzida pelos prazeres de uma mesa farta. E continuou sendo assim durante os gordos anos da minha vida.
Depois de tanto escutar esse tipo de comentário, acabei me acostumando com as minhas formas mais volumosas. Mas não menos favorecidas. E me assumi. Abandonei a ilusão de ser magra feito minhas amigas - todas uns paus-de-virar-tripa - e deixei de invejar pernas secas feito bacalhau, que eu achava a coisa mais linda do mundo. Pernas e coxas grossas vão me acompanhar o resto da vida. Fazer o quê?
A maioria das mulheres não tem corpo e rosto perfeitos. E a gente sabe que num tempo em que a democracia é a grande bandeira, a beleza foge à regra. Então, estar fora dos padrões convencionais do belo parece ser pecado mortal. Não ter curvas sensuais, nariz de princesa, seios e bumbuns em posição de sentido faz muita mulher se sentir feia, frustrada e infeliz. O que é uma bobagem sem tamanho.
Descobrir beleza nos traços incomuns, e até nos quilinhos em excesso, é o segredo. Do que adianta a mulher ser perfeita esteticamente, se ao abrir a boca diz um monte de asneiras? Nem com todo fascínio do mundo ela vai se sobressair.
Infelizmente, a luta pela beleza é algo que está na mídia o tempo todo. E coitada da grande maioria das mulheres - e isto inclui meninas de 15 anos a senhoras de 50 - que não foi favorecida. Aí, dá-lhe horas de musculação, de ginástica, de visita a cirurgiões plásticos, horas de fome e de estômago vazio. Tudo num exagero que faz com que as academias estejam bufando de gente, principalmente de agora em diante, quando o verão logo bate à porta. E haja pernas bonitas e cinturinha nos conformes para abusar dos modelitos
calientes .
Sempre cheinha, passei a vida malhando. E a uma certa altura da vida, constatei que a natureza de cada um não se subordina à estética do corpo perfeito. Como a grande maioria, sou uma mulher fora dos padrões de beleza. E vai ser assim até morrer. Mas aprendi a conviver com isso.
Você pode até não ser uma diva, mas deve sim ter corpo saudável e mente esperta. E cabeça boa, para entender que beleza não é a principal coisa. Pode abrir portas, chamar mais atenção. Mas beleza, apenas, não mantém ou segura nada.
Hoje os valores estão se modificando e mexendo com nossos padrões. Todos os dias vemos mulheres que fazem sucesso com sua beleza anticonvencional. E é assim que deve ser. Deve-se tirar proveito do que se tem de bom e fazer valer o que vem na contramão.
Se sentir feia e insegura porque a balança - esta horrorosa - escancara os quilos extras, ou mesmo porque seu nariz não é arrebitado, prova que no íntimo as coisas não vão bem. E quem disse que não ter pele imaculada, não ser loira e esguia está completamente fora de série?
Devemos dizer não à sociedade que tenta impor seu lado autoritário, quando quer impor um padrão de beleza que só Deus pode criar. Uma em mil.
Sempre tendendo para mais do que para menos, sou chegada numa academia. Não porque sou escrava de padrões de beleza, e sim, porque exercício me proporciona um corpo saudável e libera o stress. Posso morrer de tanto malhar, mas sempre vou estar acima do peso e com as formas bem longe da perfeição.
Acredito que uma nova identidade de mulher está surgindo. Ela pode ter pernas grossas, seios fartos, um nariz grande, um rosto ossudo, ser baixa e gordinha, tanto faz. Quando a gente se gosta, o espelho vira o retrato da perfeição. Importante é assumirmos nossa identidade e termos coragem de falar sobre isso.
Tem mulher que esconde tudo porque se considera feia. E tem tantos complexos que acaba fazendo disso uma história de vida. Tolice. Uma mulher não tão bonita pode muito bem revelar um lado interessante. E conquistar muitos corações.
Quando não se é a rainha da perfeição, deve-se exorcizar a sombra do complexo e as regras de beleza que a moda dita. Aquilo que se vê nas passarelas ou nas páginas de revista é um caso à parte. E um tipo de beleza, muitas vezes andrógina, que vende bem. Mas se a sua meta é essa mesmo - a passarela - se prepare para passar fome o resto da vida. E ser chamada de cabide ambulante.
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