Cá pra nós (Elisiê Peixoto)
Cá pra nós (Elisiê Peixoto)
Jovem sempre
Quem não gostaria de prolongar a juventude? De ser jovem anos a fio, de ter uma eterna disposição para tudo, de encarar a vida com mais ousadia e com menos rigor? Quem não gostaria de ter 18 anos por mais uma década e correr todos os riscos que, depois de uma certa idade, já não são mais permitidos? Eu gostaria. Acho que você e muita gente também. E se ainda não foi descoberto o milagre da eterna juventude, que tal deixar a vida fluir com bom humor e astral nas alturas?
Os anos passam para todo mundo e para não envelhecer só existe um jeito: não nascer. Então, se você já aterrissou neste mundo de Deus e está naquela faixa de idade de olhar pra trás e relembrar, melhor parar por aí e tirar proveito de tudo o que há de melhor nesta vida. E tem gente que age exatamente assim: passa a idéia de que viver é mesmo um grande barato.
Coisa boa é gente que nasceu com vocação para a felicidade. Que tem sempre uma palavra de otimismo na ponta da língua e que acaba transformando aquela manhã baixo-astral num dia legal.
Sabe aquele tipo de pessoa para quem tudo está de bom tamanho? Que está sempre levantando o moral dos amigos e tem uma maneira muito especial de resolver qualquer problema?
Gente assim não envelhece nunca. Parece ter a poção mágica da juventude e está sempre de cara boa. Faça sol, faça chuva, tanto faz. Entrar em deprê por qualquer motivo, nunquinha.
Pode reparar. Pessoas sempre felizes, ou que não se deixam abater tão facilmente, estão sempre cercadas de amigos, têm a casa movimentada, a vida em ebulição. De tédio, gente assim corre léguas de distância e quando chega no emprego pela manhã, mesmo depois de uma noite maldormida, não resmunga um bom-dia. É capaz de abrir um sorrisão na boa.
Pessoas assim sempre têm muitas histórias para contar. E histórias bem-humoradas e interessantes. Quem tem esse espírito jovem não adoece facilmente e, quando atingido por qualquer situação difícil, não se deixa baquear. Ao contrário, busca força não sei onde, mas não perde a alegria de viver.
Ao contrário de outras que ainda tão jovens parecem ter 20 anos a mais. Conviver com gente sisuda o tempo todo é jogo duro.
Tudo bem, ninguém precisa passar o dia todo como se tivesse visto passarinho verde. Tem gente que de tão alegre chega a irritar. Mas estar sempre em estado de alerta para dar uma resposta atravessada, viver recluso, lamentar a pouca sorte e viver reclamando da morte da bezerra são características de pessoas que envelhecem rapidamente e que não têm a capacidade de achar graça em nada da vida. E muito menos de sentir qualquer tipo de afeto.
Quando me deparo com pessoas assim, fico imaginando o que irá acontecer com elas quando a idade de fato pesar. Se, ainda jovens, a falta de alegria de viver é tão intensa, o baixo-astral é o maior companheiro e a falta de horizonte é o que elas mais vislumbram, como será o dia-a-dia na velhice?
Desafiamos a vida todos os dias porque faz parte do jogo. Se tudo acontecesse na flauta, talvez viver não fosse tão interessante.
Lutar contra os anos, esteticamente falando, é o direito de cada um. Tem gente que aos 20 anos curte um cabelo grisalho, por exemplo. Eu não tenho nada contra. Desde que não seja o meu, maravilha. Mas de nada adianta estar sempre com a aparência jovem e com o espírito velho. O futuro é negro para quem não consegue sacudir a poeira e deixar a tristeza ir embora.
Costumo dizer que a melhor coisa do mundo ainda é o bom humor. E é com o espírito jovem que o bom humor se faz presente. Assim, nos mantemos dóceis e enxergamos a luz no fim do túnel quando as coisas estão amargas. Com bom humor conseguimos até o impossível. Como, por exemplo, aparentar 10 anos a menos, ter uma pele de pêssego, um sorriso cativante e um olhar de arrebatar corações. E precisa mais?
elisie@inbrapenet. com.br





