Cá Pra Nós (Elisiê Peixoto)

FALANDO DELAS
Estes dias uma leitora me pediu para não mais falar mal dos homens em minhas crônicas. Aí fiquei rememorando em quais delas desci o sarrafo na galera masculina. E lembrei. Falei mal dos homens numa crônica em que relatei a grosseria de um motorista - que me mandou ficar no tanque ao invés de dirigir - em outra na qual contei a desgraça de se ter um marido que bebe todas e que avacalha com a vida de qualquer mulher, e em outra quando descrevi com riqueza de detalhes o desastre que é ser casada com homem bagunceiro, daqueles que mexem o cafezinho com a mesma colher do açucareiro e largam melada sobre a pia, ou pior, fazem xixi pra fora da patente e nunca descem a tampa depois.
Mas ainda não escrevi sobre homem paquerador, lambão, mão de vaca, gastador e por aí afora. Sorry, dona leitora, mas me aguarde. Ainda se tem muito o que falar sobre os homens.
Mas para sermos democráticas, então vamos falar mal das mulheres. O que não é tarefa fácil, porque mulher é sempre o máximo, e é muito difícil descer a lenha no sexo frágil. E a mulher pode fazer qualquer absurdo que sempre haverá uma boa razão para tal. Mesmo assim, existem exceções.
Há mulheres destruidoras de corações e até de lares. E como há. Escolhem o homem certo, o local certo e o momento certo para dar o bote. Casado, solteiro, amigado, tanto faz. Há mulher que simplesmente a-do-ra se divertir com o sexo masculino como se fosse um brinquedinho barato sem muita serventia. Depois o coloca de escanteio, sem dó, nem piedade. Mulheres assim passam a vida fazendo isto sem pensar nas consequências. E salve-se quem puder.
Tem outras que correm atrás do sucesso profissional a vida toda. Se casadas, são capazes de abrir mão até da educação dos filhos - e delegar poder até para as empregadas. Se solteiras, não querem qualquer relação amorosa duradoura, falam sempre do mesmo assunto e estão sempre de olho no sucesso do vizinho. Na primeira oportunidade dão aquele puxão de tapete doído.
E tem aquelas sempre de mal com a vida. Ligam para o marido no trabalho do infeliz para se queixar dos filhos e da vida malresolvida. Não dão paz para o homem, cansado de escutar a mesma ladainha. Se a empregada falta, o motivo para a lamuriação é ainda maior, fazendo com que, naquele momento, o marido tenha a certeza de que o inferno é aqui.
E mulheres exibidas? Elas estão em toda parte. Nas academias de ginástica só faltam se rasgar inteiras na hora dos exercícios. E se tiver homem por perto, quanto mais, melhor. As tais estufam o peito, arrebitam o bumbum, encolhem a barriga e não fazem um movimento. Mas devoram o espelho, cultuando aquele corpinho que Deus deu e o diabo torneou.
Tem também as pseudocultas que contam a maior vantagem sobre os best sellers (sempre os mesmos), descrevem museus do mundo todo, contam sobre as ruínas romanas e as ilhas gregas. Mas tudinho lido e relido. Mulher assim é jogo duro. A necessidade de auto-estima é tão grande que elas mentem e tentam passar uma imagem de bem resolvidas. Tudo papo furado.
E as peruas? Socorro. O mundo para elas é pura felicidade. Desde que tenham anéis de ouro em todos os dedos, brincos de pingentes idem, um tamanco bem alto, um celular digital e uma fuzô comprada na ponta de estoque Donna Karam, em Miami. Tudo se resume numa única palavra: gastar. O dinheiro do marido, porque este papo de mulher independente bate de frente com qualquer perua. Das mais às menos deslumbradas. Na verdade, as peruas se amam. E dane-se quem não gosta delas. A maioria tem esta filosofia.
Mulher fofoqueira também é de amargar. Mulher já adora trançar uma conversa, mas daí a fazer disso um hábito é coisa muito feia. Nunca se deve revelar uma confidência ou passar pra frente aquilo que se escutou dizer. E é crime falar mal dos outros, principalmente de quem você mal conhece. Tem mulher que se pendura no telefone com este único objetivo.
E quando elas são muito ciumentas? Qual homem suporta? Mulher ciumenta azucrina a vida do sócio de cama e mesa, da hora em que acorda até a hora em que vai dormir. Cuida dos horários, liga 30 vezes por dia, revista os bolsos do paletó, confere cheque - como se o marido fosse escrever motel, no canhoto - e acredite se quiser, cheira a cueca do dito cujo. Por que, eu ainda não entendi.
Mulher relaxada também merece entrar na lista. Tintura vencida, com a raiz do cabelo aparecendo, unhas malfeitas e mal pintadas, pernas, axilas e adjacências sem depilar e cangote cheirando a alho, não tem perdão. E falta de dinheiro não é desculpa, porque com pouca grana e muita boa vontade é possível sim, cuidar do visual. Pelo menos das coisas básicas, não é, comadre?
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