Cá Pra Nós (Elisiê Peixoto)


Arquivo FolhaAcabou-se o que era doce
Quem na vida nunca sofreu uma desilusão amorosa? Pode ser aquela mais passageira impossível, que aconteceu, virou e acabou. Mas que te deixou arriada, com o coração fisgado. Quer saber? Te deixou foi um trapo humano, já que é pra falar em português claro.
Se você puxar pela memória vai se lembrar daqueles dias que se arrastaram numa monotonia de dar dó e que te deixaram pensando na vida e nos homens, estes ingratos que te fizeram sofrer, chorar e até se descabelar. Principalmente quando você pensa no tempo que perdeu se emocionando pelas coisas mais banais. Que ninguém, nunca, procure entender o coração de nenhuma mulher. E que nenhuma mulher procure, jamais, entender seu próprio coração. Porque a coisa dá nó.
Mulher, quando se apaixona, encontra qualquer justificativa. Se o homem é pobre de marré, então é porque ele é muito correto. Se é rico demais, é inteligente, venceu sozinho. Se é feio de doer, o moço tem um coração de ouro. E se é lindo de arrebentar, então ele é modesto.
Toda mulher apaixonada vive pisando em nuvens, rói as unhas, rezando para o telefone tocar, derruba o guarda-roupa para escolher a melhor peça, e em nome do amor, perdoa e releva cada escorregão da cara-metade! É aí que a vida da gente vira um inferno.
Eu ainda acho que a melhor coisa do mundo é se apaixonar perdidamente. Isto quando se tem 18 anos. Quando se é bem jovem, a beleza física é o que mais conta. Mais tarde, depois de tanta chapuletada, homem ou mulher aprendem a valorizar outras coisas que todos estão carecas de saber. Mulher bonita e burra só outro homem que tenha as mesmas ‘‘qualidades’’ para aguentar. Mas tem homem que ainda prefere escutar chuchu, abobrinha e mamão saídos da boca de um mulherão para depois desfilar com o troféu ao lado. Nem que seja por uma noite.
E tem também os homens charmosos to-tal-men-te irresponsáveis que não pensam no dia de amanhã e que torram dinheiro a rodo para impressionar a mulher. Quem sabe uma dessas vítimas não seja você, a esta altura caída de quatro, fulminada de paixão. Se você tem mais de 20 anos, caia fora do relacionamento enquanto é tempo. Homem que não trabalha e o que ganha gasta num piscar de olhos, te enterra viva. E não sou eu quem diz. Isto é mais velho que chumaço de Bombril na ponta da antena interna da televisão.
E quando um e outro sentem que a harmonia divina foi pro brejo e que mais nada vai mudar a situação, melhor esquecer qualquer chance de reconciliação. Nas relações amorosas, nada é pior do que a indiferença. Na verdade, isto é horrível. É a prova concreta de que tudo acabou.
Mas não interessa a idade que você tenha. Na hora de acabar uma relação, sai de baixo. Namoro, casamento, tanto faz. Sacudir a poeira e partir pra outra não é tarefa fácil.
Mulher sempre é mais passional, acha que nunca mais vai sarar. Mas com o tempo entende que uma segunda oportunidade pinta pra todo mundo e que aquela pessoa já não faz tanta falta assim. Mesmo aos trancos e barrancos a ordem é ser feliz e juntar os caquinhos. Se dê esse direito e na hora de dividir o mesmo espaço novamente, nada de entrar de cabeça. Investigue o terreno antes de cair em outra gelada e arrumar uma segunda pessoa pra te infernizar a vida. Sozinha, você vai muito bem, obrigada.
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