Arquivo FolhaGente convencida é mesmo um porre. Eu reconheço uma a quilômetros de distância. Impossível de conviver. Se julga a melhor em qualquer situação, a mais bonita, a mais inteligente e o que é pior: acredita piamente nisto. Experimente fazer um elogio para aquela sua prima que se julga a mais gostosa do bairro. Não, não faça. Com certeza receberá em troca aquele olhar de desdém, como se dissesse: ‘‘Eu sei que sou bonita. Sempre soube’’.
Gente convencida a-do-ra chegar nos lugares atrasada. De preferência naquela festa abarrotada de convidados, quando todo mundo se acomodou e está em compasso de espera. Aí o porre entra, e se for mulher, a bordo de um vestido que modela o corpinho que Deus fez e o diabo torneou, com o nariz empinado e louca para atrair todas as atenções. Usa e abusa de todos os recursos para ser notada. E normalmente consegue.
E quando ao invés de mulher é um homem o narciso de ocasião, que acaba de ser contratado para trabalhar no mesmo escritório que você, e no computador à sua frente. No primeiro dia já te fulmina com aquele olhar de dó, afinal, a partir daquele dia reinará pleno, absoluto durante horas ininterruptas. Se julga o funcionário mais dedicado, mais competente, mais hábil, enfim. O the best . Você e os outros, a partir daquela segunda-feira, tornam-se o resto. E aguenta!!!
Você já viu homem, ou mulher, tanto faz, desde que seja absolutamente convencido, fazendo aula de ginástica? Chega a ser hilário. Barriga pra dentro, peito pra frente, pescoço esticado, aquele olhar de peixe morto encarando o espelho da sala. Acha o professor um fracasso total, com certeza. E se precisar se rasga ao meio para fazer os exercícios.
Tive um namorado tão convencido de sua intelectualidade, que cada vez que aparecia em casa, eu, de tão tonta, corria esconder todas as revistas Sabrina, Bianca e outras do gênero. Morria de vergonha só de imaginar aquele chato descobrindo minha tendência literária aos 17 anos.
Nunca tive paciência com gente que se julga melhor do que os outros. Que passa por cima da pessoas feito um trator e que só sabe conjugar o verbo na primeira pessoa. A maioria acaba sozinha, a gente sabe disso. São as conhecidas gangorras. Quando senta, todo mundo levanta.
Mulher bonita, mas afetada, que fala dela desde o consomé de entrada até o dessert , espanta qualquer um no primeiro encontro. E os homens convencidos, normalmente de seu poder e charme, acabam sozinhos em frente à televisão nos finais de semana ou acompanhados de deslumbradas, daquelas bem chatas que dão gritinhos cada vez que compram uma roupa de grife. A propósito, que gente é essa? Merece sim, uma crônica a parte, qualquer dia deste. Pior que convencidos só mesmo os deslumbrados da vida. Na verdade, um completa o outro e ambos se merecem. É isso aí.

mockup