Cá pra nós (Elisiê Peixoto)
Quando o coração fala
Não fico indiferente aos apelos do coração
Cheguei a conclusão de que gente especial age de maneira diferente da maioria por um motivo que antes eu desconhecia totalmente: age levada pelo coração. E tem acontecido muito comigo: sigo aquilo que o meu coração grita. Muitas vezes a razão aponta para o caminho oposto, mas nem sei bem o porquê, deixo de repetir padrões de comportamento, me sinto com uma maior liberdade de expressão, sou mais espontânea e acabo cedendo àquele que bate no lado esquerdo do peito. E tem dado certo na minha vida, desde à criação dos meus filhos até na maneira de lidar com as pessoas. E quando sinto que o coração não insiste em determinada coisa, sigo aquela intuição que é forte demais. Faço isso desconhecendo a razão e aceitando sem maiores questionamentos.
E esta nova atitude de vida me levou a conhecer algo que hoje escrevo com conhecimento de causa. A felicidade pode ser alcançada de maneira simples. Ser feliz independe de classe social, de estado civil, de ponto de vistas diferentes. Tem gente muito rica que tem tudo, é alegre mas não é feliz. E quando agimos levados só pelo coração, e principalmente quando tudo acontece na medida certa, a sensação de felicidade é tão grande que só quem sente sabe como é.
Hoje, nada me deixa mais feliz do que ver meus filhos felizes. Às vezes eles pedem tão pouco que só o fato de assistirmos um vídeo juntos é motivo de comemoração. Se antes não gostava de animal em casa, hoje tenho peixe, passarinho e cachorro. Eles fazem meu filho de 8 anos sorrir. E é algo que está ao meu alcance, dá trabalho, vez ou outra esquenta a cabeça, mas alegra minha casa. Mesmo quando o beagle dorme no melhor lugar da sala, destrói nossos tênis e late à porta do meu quarto tão logo o dia amanhece, acordando todos, sem distinção. Só mesmo pelo coração.
Se antes eu tomava atitudes levada apenas pela razão, se antes questionava o porquê de todas as coisas e passava dias pensando no que fazer, hoje deixo meu coração gritar. Entendo que por pior que seja uma situação, por mais difícil que seja a atitude que se deve tomar, nunca mais deixo a dúvida tomar conta de mim. Por isso acabo consultando meu coração.
É assim quando ligo para uma amiga tarde da noite que não vejo há tanto tempo. É assim que escrevo uma carta para alguém que gosto tanto levada apenas pela vontade de expressar o que sinto, é desta forma que abro o coração para meu companheiro de trabalho pela única necessidade de tirar o nó da garganta.
Mas quem disse que antes eu não era diferente? Era racional e determinada. Tinha o coração mais duro, era menos flexível, procurava colocar a razão nua e crua à frente das minhas mais simples atitudes. Mas pela fé acabei mudando o curso da minha vida. Antes, eu me sentia mais uma em meio a tantos. Hoje me sinto especial. A razão de tudo virou um grão de areia e o coração passou a ser o leme da minha vida.
Hoje já não consigo ficar indiferente aos apelos do coração porque eles são tão firmes que pouco me importa a racionalidade da situação. Quando meu coração diz não, é não mesmo. Mas quando ele bate aliviado, é porque diz sim. Aí, confiante no propósito de Deus eu começo a agir. E sei que sou a única responsável pelo que acontece na minha vida. Despertar para isso depende só de você. Aí tudo melhora, principalmente quando levados pelo coração deixamos de adiar determinadas atitudes que podem nos tornar felizes pelo resto da vida.





