Senso crítico é preciso
Ainda acho que a maior virtude de uma pessoa é o senso crítico. E existem pessoas que não saem por aí julgando ninguém a torto e a direito. Porque se colocam na mesma situação. Eu não era assim, mas acabei aprendendo na marra que antes de abrir a boca e emitir um comentário desnecessário deve-se sempre se colocar na posição da outra pessoa. Na maioria das vezes ninguém age de forma inpensada porque quer. Quantas vezes fui impulsiva, falei muito para o meu tamanho e acabei pagando o pato. Bem feito para mim que não tive senso crítico o suficiente para parar, pensar, analisar e entender a atitude de um amigo ou de um parente.
Admito que muitas vezes pensei: ‘‘Eu, no lugar dela, faria de outra maneira’’, ou ‘‘Não tenho nada com isso, mas teria agido diferente’’. Já perdi a conta de quantas vezes fiz estas afirmações. E vez ou outra estou fazendo comentários, aleatoriamente, sem pensar mais seriamente no assunto. Mas estou aprendendo...
Costumamos julgar correta a atitude de outra pessoa quando ela age exatamente da forma que nós agiríamos. E o que é pior, se ela age diferente nunca levamos em conta uma série de fatores que fizeram com que a tal pessoa agisse daquela maneira. E quem somos nós para julgar? Sentir na pele um problema é muito diferente do que ouvir contar. Pimenta nos olhos do outro é refresco, sim senhora.
Quando contrariada, ou quando alguém agia de forma diferente à minha, ficava decepcionada. E queria que a minha posição prevalecesse custe o que custasse. Mas tenho aprendido que as minhas convicções não são as mais corretas. Ninguém é exatamente igual a outra pessoa. Somos diferentes e conviver e aceitar isto numa boa é complicado porque a tendência de nos julgarmos certos sempre prevalece, pelo menos intimamente.
Quando nos decepcionamos com a atitude de outras pessoas, quando sabemos que agiríamos de forma completamente diferente, a frustração é ainda maior. Por isso é necessário ter senso crítico muitas vezes. Descer o sarrafo nas pessoas e julgar atitudes não é certo. Já vi tanta gente comentar a vida dos outros e depois passar pela mesma situação. Isto acontece comigo, com você, com qualquer um deste mundo.
Também acho que não se deve esperar nada de ninguém. Eu penso de uma forma, você pensa de outra. Chegamos mesmo a ser meio solitários em relação a isto porque a coisa mais difícil é encontrar um denominador comum. Você pode conviver anos a fio com uma pessoa, e em dado momento ela pode te surpreender. Melhor é cada um, antes de qualquer comentário inescrupuloso, fazer um pré-julgamento e se colocar, sempre, no lugar da outra pessoa. E se pensar, pense apenas, mas fique de boca calada.
De tanto me colocar no lugar do outro, meu ponto de vista e meu código de valores hoje, tomam outras formas. E acabo – pelo menos tento – não fazendo qualquer comentário precipitado, que em outras épocas, me fez perder até amizades valiosas, hoje restauradas.
Você já percebeu que algumas posições contrárias as nossas são suficientes para desfilarmos uma imensidão de idéias e opiniões? Mas quem já esteve no lugar da outra pessoa, comendo um saco de sal, vivenciando coisas que a gente nem sequer imagina como aconteceram?
Devemos ser mais compreensivos e mais tolerantes. É melhor falar menos, julgar menos e cuidarmos mais da nossa vidinha. Sempre vai haver pontos de vista diferentes e interpretações equivocadas. E antes de lançarmos farpas deve-se pelo menos tentar enxergar com outros olhos, de maneira mais objetiva e mais imparcial.

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