Cá pra nós (Elisiê Peixoto)
Cá pra nós
Elisiê Peixoto
Mãe todos os dias
A gente costuma dizer: Se caso eu não tivesse feito isto, teria feito aquilo; se eu não tivesse dado esta direção a minha vida, teria feito tudo diferente, se não tivesse casado tão cedo..., se não tivesse feito esta faculdade .... Mas nunca dizemos se não tivesse me tornado mãe.... Porque amamos tanto nossos filhos, que não conseguimos nos imaginar sem eles no dia-a-dia. Pelo menos é assim que eu sinto.
E ser mãe é uma tarefa de tamanha responsabilidade que requer disciplina, amor, cumplicidade e boa dose de disposição. Principalmente quando os filhos são criados por uma mãe batalhadora, muitas vezes sozinha, precisando trabalhar e estar com o coração leve, o espírito tranquilo na hora de conversar com eles, tentando acertar na educação, nos princípios de vida, na postura do caráter.
Porque educar filho só com o coração não é o correto. Há limites na vida para tudo, inclusive para se dar uma boa educação. Mesmo porque, se cedermos às grosserias e exigências dos nossos filhos, iremos colher os frutos mais tarde. E aí, sim, não poderemos esquecer que eles aprenderam seus valores conosco.
A vantagem de se tornar mãe ainda jovem, é que chega uma fase na vida em que sua filha ou seu filho tornam-se seus melhores amigos, e vice-versa. Como tenho dois filhos com idades distintas, costumo dizer que tenho que estar atenta a todas as perguntas sobre sexo feito pela mais velha e, ao mesmo tempo, estar disponível para montar Lego com o menor de 8 anos sem fazer cara feia. Porque mãe é isto. De nada adianta você ser uma excelente profissional, ser respeitada fora da sua casa, e deixar a coisa pipocar no relacionamento com seus filhos.
Ao analisar a tolerância e a paciência que tenho com as crianças é que creio realmente que filho é dádiva de Deus para o resto da vida. Muitas vezes não tenho paciência para esperar o elevador, mas já me vi plantada em frente a uma prateleira de brinquedos durante 40 minutos esperando meu filho escolher o presente de aniversário. E fico acordada até alta madrugada, nos finais de semana, enquanto a filha mais velha não coloca o pé dentro de casa. Nos pegamos fazendo concessões nunca imaginadas antes e nos doando de uma forma muito especial. E esta ligação mãe e filho fica para o resto da vida, mesmo você morando aqui e ele lá, a 2 mil quilômetros de distância.
Os desentendimentos também fazem parte do relacionamento das pessoas que se amam que, às vezes, podem até ser frequentes. Mas que são esquecidos em dois minutos. Pelo menos é assim na minha casa. Tem momentos em que eu como mãe e minha dupla como filhos causamos uma mistura de nitroglicerina. E explodimos na medida certa. Mas ninguém na minha casa dorme brigado um com o outro ou sem pedir desculpas. É regra básica para o bom convívio.
Ensinar é algo que tenho que fazer diariamente. E para isto preciso estar atenta aos mínimos detalhes porque ninguém vai fazê-lo por mim. E são mínimas coisas mesmo, como fechar a lata de bolachas e colocar os CDs no lugar. Copo usado, dentro da pia da cozinha; tênis, de volta para o armário; mochila da escola, direto para o quarto. Na mesa, comer de boca fechada, orar antes da refeição, não encher demais o prato. Não bater a porta do quarto, não gritar ao telefone, escutar música num volume suportável. É isto o dia inteiro. A gente pensa: até quando vou precisar falar as mesmas coisas?
Mas a gente ensina porque ama e sabe que os bons modos vão se refletir mais tarde, na hora de pedir um emprego, de conviver com a namorada, de frequentar a casa dos amigos. A gente ensina, insiste, ensina de novo, até que obtém sucesso. Aí um dia alguém elogia os modos de seus filhos e você fica com o peito estufado. Afinal, a obra foi sua.
Nada me deixa mais feliz do que ver meus filhos felizes. E mesmo nos momentos mais difíceis, naquelas horas em que você se sente uma formiguinha, os filhos têm o poder mágico de reerguê-la. E não precisa muito. Um carinho, uma palavra de apoio bastam para recompor você inteira.
Quando estou triste, meus filhos também estão. E quando me sinto feliz, tudo é motivo de festa. Cumplicidade entre mãe e filhos é, acima de tudo, prova de amor e respeito. E isto, tenho conseguido no meu lar.
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