Já fiz a lista contendo os ítens que pretendo seguir à risca no ano que vem. Em 1998 consegui ser fiel a apenas seis dos dez ítens a que havia me proposto. Mas tem um que não abro mão de forma alguma: a comemoração do aniversário. Porque sei que viver mais um ano é dádiva de Deus. Principalmente quando se passa um ano com saúde. A gente sabe que só depois que a perdemos é que se dá o devido valor. Então festo meu aniversário sempre ao lado das pessoas que amo e que gostam de mim, meus filhos, minha família, com direito a bolo, velinhas e coro de ‘‘Parabéns a Voc꒒.
Tenho conhecidos que detestam comemorar aniversário, ficam deprimidos, não gostam de falar no assunto. Eu não. Posso estar na maior dureza, com o coração apertado, triste, que o fato de estar comemorando aniversário me desafoga, me deixa feliz. Na verdade, depois dos 30 anos, o tempo vai nos exigindo reflexão. Fazemos conta dos acertos e dos erros. Mas ainda acho que mais tenho acertado do que errado.
Toda época do meu aniversário acabo fazendo um balancete de tudo, peso os prós e os contras. E na virada do ano refaço o pensamento. Porque é como eu escrevi: aniversários e brindes ao Ano Novo exigem alguns minutos de reflexão. E se não cedemos um tempo nosso, com certeza a exigência de refletir vai pintar durante o próximo ano e nas mais diversas situações.
Mas, reflexões à parte, Ano Novo é sempre tempo de paz e harmonia. E até na ceia tudo deve acontecer nos conformes, sem mágoas ou acertos de contas. Porque isso já deveria ter sido tratado durante o ano que passou. Começar um novo ano com o coração amargurado dá uma idéia do que será a sua vida nos próximos meses. Não vale a pena.
E brindar o Ano Novo, da mesma forma que comemorar mais um ano de vida, é sempre motivo de festa. Pinta aquele clima de esperança, de que as coisas vão ser melhores. E na maioria das vezes são mesmo. Até as adversidades e as decepções com amigos e familiares dão o amadurecimento no momento certo. Isto, eu creio, que Deus prepara e nos dá na medida em que podemos suportar.
Costumo dizer que o rio do tempo é o único lugar em que podemos unir o amanhã e o ontem. Por isto a reflexão é tão importante. Eu posso cuidar do meu amanhã de acordo com o que fui e com o que fiz ontem.
A gente sempre quer melhorar, pelo menos eu quero. E não ligo de ficar mais velha, porque a cada ano que passa, mais eu gosto de mim. E à revelia de tudo, mais tenho forças para encarar de frente aquilo que pintar. Os anos vão passando e a gente vai sendo obrigada a crescer na marra e a buscar novas respostas para velhas questões.
E tudo tem sua hora. Quando penso que talvez tivesse feito tudo diferente aos 20 anos, vejo minha filha de 15 fazer determinadas coisas tal e qual eu fiz quando adolescente. E pode o mundo avisá-la que aquilo não dará certo, que ela faz e quebra a cara. Afinal, aos 15 anos ainda se tem uma vida pela frente, tem tempo de sobra para errar, consertar o erro, errar de novo e aprender de vez. Maturidade, só com o tempo e depois de alguns safanões.
De qualquer forma, como a comemoração do meu aniversário deste ano foi uma das melhores que tive até hoje - uma festa surpresa preparada por amigos numa fase difícil da minha vida - dez meses antes já idealizo a próxima. Que espero passar cercada pelas pessoas que me amam de verdade, que me dão prova disso e que aprendi a respeitar pela fidelidade.
Não importa o momento em que você vive. Ele pode não ser o melhor da sua vida, mas é seu. Reflita, mude o contexto, refaça os valores, dê uma virada na situação. E curta os próximos anos como devem ser comemorados: feliz da vida.
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