Cá pra Nós (Elisiê Peixoto)
MEUS FILHOS E EU
Pela primeira vez em muitos anos, não vou me preocupar com as festas de Natal e de final de ano. Porque resolvemos, eu e meus filhos, não comemorarmos da maneira tradicional: mesa farta, troca de presentes e todas aquelas manifestações típicas da data, nas quais o sentido verdadeiro - o nascimento do Menino Jesus - é por várias vezes colocado de lado.
Este ano foi talvez o mais atribulado na minha vida e na dos meus filhos, mas também o mais abençoado e o mais enriquecido espiritualmente. Quando passamos por decepções e adversidades crescemos, e os escorregões e puxadas de tapete se transformam em água com açúcar.
Durante este ano só aprendi com meus filhos. Eles ficaram ao meu lado nas horas mais difíceis, me devolveram a auto-estima, me deram a chance de enxergar como são especiais, e que até agora, aos trancos e barrancos, tenho feito um bom trabalho. Como mãe, sou imperfeita, mas até nisso eles me amam.
Criar filhos é mesmo uma dádiva de Deus. Antes, eu os criava em meio ao stress do dia-a-dia, em meio às atribulações da casa e do trabalho. Para eles meu tempo era limitado, dividido, disperso.
Hoje, meus filhos continuam sendo criados conforme o meu projeto de vida, baseado naquilo que me faz feliz, me realiza e que proporciona a eles a atual condição de vida. Mas algo mudou no meu coração. Me sinto mal em ter que deixá-los por causa de alguma viagem de trabalho, por passar mais horas trabalhando do que assistindo à TV em casa, de monitorar de longe suas tarefas ou de deixar de ir às reuniões na escola. Hoje, eu os coloco em primeiro lugar sempre porque sei que a minha responsabilidade dobrou e estamos no mesmo barco para o que der e vier.
O fato de não querermos comemorar o Natal com todas as pompas dos anos anteriores, é o resultado de muita união e cumplicidade. Festa e muita gente ao redor não importam mais, desde que nós três estejamos juntos. E tem sido assim em várias ocasiões - eu, minha filha em plena adolescência e um menino de 7 anos que a cada dia me surpreende e me emociona com sua vivacidade.
Nós três tivemos que aprender a dividir tarefas e respeitar limites; regras básicas na minha casa. E que está longe de ser o retrato da perfeição, mas é território sagrado da boa convivência, quando à noite ainda curtimos assistir ao mesmo filme na televisão, comendo pipoca e palpitando sobre a sinopse.
Se uma adaptação à nova vida tem sido difícil, por outro lado ela tem sido rica em sentimentos verdadeiros. Na minha casa ninguém mais pisa em ovos para falar determinadas coisas. Suprimos aquela falta com diálogo e ajuda mútua. E já houve momentos de prova.
Uma mãe ou um pai egoístas e que se bastam não são capazes de entender o que passa ao seu redor ou rente ao próprio nariz. Uma mãe que apenas direciona sua vida ao crescimento profissional ou um pai que não faz concessões para o filho colhem os frutos mais tarde. Filho tem que vir em primeiro lugar. Somos responsáveis por eles até o fim da vida. Pequenos, grandes, casados, não importa.
A simbiose que Deus fez é tão perfeita que até a mãe mais distante é tocada quando algo de bom ou de ruim acontece ao filho.
Um pai responsável prova que ama os filhos dando a eles a oportunidade de diálogo, de convivência. Não importa o tempo em que ficam juntos e, sim, a qualidade destas horas. Pai e filho precisam ser amigos sempre. E se isto não acontece desde a infância, o rombo fica grande na alma e no coração e traz traumas na maturidade.
Volto a escrever que meus filhos foram meu escudo nestes últimos meses. Tiveram paciência, me adularam, me serviram, me amaram, me protegeram. E vice-versa. Como deve ser em todos os lares.
Roberta, Fernando e eu somos grandes amigos acima de tudo. Viver esta cumplicidade é muito bom. A decisão de estarmos juntos para o que der e vier e até de perdoar certas atitudes faz parte da decisão de ver nossa vida e o nosso relacionamento com outras pessoas sob uma perspectiva diferente. Faz a gente ter a certeza de que apesar de tudo, ainda assim valeu a pena.
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‘‘Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra ao teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vás bem, e sejas de longa vida sobre a terra.’’ Efésios 6. 1-3.

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