O vaso quebrou? Então é hora de juntar os caquinhos. Amor não correspondido, dor-de-cotovelo, um fora sentido, uma separação, tanto faz. Você pode ter 15 ou 30 anos, mas se acabou de colocar ponto final numa relação, com toda certeza deste mundo, a dor vai fisgar seu coração durante um tempo. Adolescente ou adulto, não importa, aquela dorzinha que te corrói por dentro vai te maltratar e te derrubar por uma temporada. E vai fazer você se sentir um trapo humano. Se prepare, porque vão ser dias e dias com aquele nó na garganta. Basta o vizinho te lançar um olhar diferente, que uma cachoeira de lágrimas desce rosto abaixo. Mas tudo passa. E um dia você acorda com a alma nova, restaurada e com todos aqueles caquinhos colados.
A gente acha que nunca mais vai sarar. Pensa e fala naquele assunto o tempo todo. Tem mulher que apela para todos os santos, que emagrece tudo aquilo que não emagreceu a vida toda, que rasga todas as fotos do ex, que se sente a pessoa mais rejeitada do mundo. Tem homem que toma um porre diariamente, telefona 30 vezes por dia para a malvada, arruma uma outra namorada para se vingar. A verdade é que todo mundo que sofre de amor fica chato que dá dó. Os amigos aguentam aquela choramingueira porque todo mundo sabe como é. A dor da rejeição judia mesmo. Mas é como eu escrevi, tudo passa.
Quando se tem 18 anos, sofrer por amor é tragédia. É época de porta de quarto trancada, de porres homéricos, de falar baixinho ao telefone, de ficar em jejum para se sentir a mais acabada de todas. É tempo de escutar música romântica e ir de mal a pior na faculdade. Adolescente que leva um fora, então, faz malcriação, desenha coração em todos os cadernos da escola, dorme com a foto do ex-namorado debaixo do travesseiro. Aí, de repente, aparece outro. E como num passe de mágica, ela mal se lembra do nome do ex. Aos 15 anos, tudo passa num zás-trás.
Quando se fala numa relação de amor que acabou, a gente consegue visualizar a mulher completamente entregue ao próprio sofrimento. Porque mulher, sempre a mais emocional, fica sem a menor auto-estima durante um bom tempo. Quer e gosta de escutar que ela não tem sorte no amor, que quando arruma alguém logo em seguida perde, que a vida foi ingrata com ela, que homem não presta, que nunca mais vai acreditar no amor e que agora sim vai botar pra quebrar e deixar de ser uma boba. Mas não faz nada. E quando encontra uma outra pessoa, se apaixona e acaba se rendendo aos próprios sentimentos. Nós, mulheres, somos assim.
Já o homem some do planeta durante um tempo ou faz questão de desfilar com uma mulher diferente a cada dia. Acaba fingindo para si mesmo que tudo está uma maravilha e que a ex é ex mesmo! Homem ferido no coração é um perigo, porque acaba descontando a dor-de-cotovelo em quem não tem nada com isso. Mas quando está sozinho sofre como a mulher. Mas ninguém vê, e quando a coisa aperta, acaba pedindo arrego.
Uma relação de amor tranquila e firme deveria ser feita como um receita de bolo. Quando se coloca todos os ingredientes na medida certa, ele assa e cresce maravilhosamente. Mas quando se coloca açúcar demais e fermento de menos, o bolo desanda. A gente sabe que é assim em qualquer lugar do mundo, mas acaba pecando em algum momento. No egoísmo, na própria vaidade, no ciúme, na falta de atenção. E nada é pior do que a traição. Um namoro ou um casamento devem ser ensolarados, com tudo às claras porque basta uma nuvem preta para colocar a relação de amor em risco.
Mas de toda separação, por mais dolorida e necessária que seja, se consegue tirar alguma coisa boa. Se acontece uma reconciliação, com toda certeza os mesmo erros não vão ser repetidos. E numa segunda, terceira ou quarta relação, todo mundo pode acertar, desde que se deixe para trás aquelas miudezas.
Uma coisa é certa. Depois de um tempo, essa carência, esse sentimento de culpa, essa total falta de auto-estima vão embora. Isto até parece impossível quando se está no fundo do poço. Mas acontece e ambos os lados saem mais fortalecidos. E a dor um dia passa. Como tudo na vida.
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