Então estava combinado. No finalzinho da tarde, cada um pegava o mesmo caminho e se encontrava no barzinho do ‘‘seo Tonho’’, um lugar sem grandes pretensões, com a cara do dono: simples, bem-humorado e com muita ‘‘categoria’’, como o próprio gostava de frisar. Foi assim durante muito tempo e numa época em que as apostilas da escola e os projetos de vida estavam sempre presentes e ao mesmo tempo distantes.
Quando lembro que costumávamos sentar naquelas cadeiras desconfortáveis, comer pasteizinhos recheados de vento sem o menor padrão de refinamento e conversar alto como se fôssemos a única roda de amigos do planeta, não deixo de comparar às festas atuais, algumas tão cheias de pompas e frescuras que se tornam chatas, monótonas.
Já fui a festas em que o staff de empregados é tão grande, o serviço de mesa tão requintado, os anfitriões tão esnobes, que a vontade é gritar por socorro. Isso sem falar no brinde da noite: um sommelier de quem todo mundo foge e que cai na sua mesa. E que durante quatro horas ininterruptas te explica tudo sobre vinho. Você volta pra casa com vontade de jogar ralo abaixo aquela safra que esconde no armário, mais parecida com vinagre de maçã, sangue de boi, qualquer coisa do gênero.
Não é que não goste de festas elegantes. Adoro. Mas precisam ter o ingrediente principal: descontração. Não precisa ser a mesma do bar do ‘‘seo Tonho’’, mas suficiente para as mulheres não se importarem com a meia fina, com o retoque da maquiagem, e os homens, com a gravata apertando o gogó. Festas descontraídas não são necessariamente informais. São na verdade festas inesquecíveis, memoráveis, daquelas que a gente fica se lembrando anos a fio.
Já fui a recepções em que a noiva ficou de pescoço duro a festa toda para não estragar o penteado e equilibrar a grinalda. O noivo não arredou o pé da mesa; a sogra, para parecer elegante e magra - mesmo pesando 90 kilos - andou pelo salão com a barriga encolhida -, e o sogro, que ia morrer com a conta de tudo, voltou pra casa com o braço roxo. De tanto levar beliscão da mulher, cada vez que ameaçava beber uma dose de Royal Salut.
Quase no finalzinho da festa, pintou aquela tia simplória de pai e mãe que a família esconde há anos. E gritou bem alto: ‘‘É hora de pôr a mão na bufunfa! A gravata vai correr solta! Pronto. Toda pompa foi por água abaixo em dois minutos. O efeito foi devastador, já que a maioria dos convidados riu, a mãe da noiva teve um chilique e o noivo chutou o balde: adorou a idéia de embolsar uns trocados e matou a noiva de vergonha.
As melhores festas a que já fui na vida - e nisto eu tenho know how -, foram aquelas em que os noivos dançaram rock até altas horas, a aniversariante apenas ‘‘apresentou’’ os drinques e cada um se serviu por conta, e outra em que uma amiga muito ‘‘novidadeira’’ reuniu só as mais íntimas para um brunch no jardim. De tão bom, o encontro se estendeu até o jantar: uma bela macarronada preparada a oito mãos e regada por três garrafas de vinho Bolla Rouge. Precisa mais?

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