Tem sido um assunto tão permanente, que estes dias uma leitora me solicitou que o abordasse. Ele é discutido na televisão, analisado nas revistas, citado dentro da nossa família, na roda de amigos, no dia-a-dia. É quando o amor acontece entre uma mulher mais velha que o homem. Ou quando num casal bem-casado, a mulher tem alguns anos a mais do que o homem. E esta relativa diferença de idade é, para muitos, arraigados em pseudo-pudores, motivo de conversa.
Fico imaginando como é possível, no limiar do século 21, que o amor entre duas pessoas tenha ainda que combater um inimigo invisível, calado, mas poderoso como o preconceito. E por uma coisa tão banal: a idade.
Penso que passar a vida inteira feliz com o mesmo parceiro independe completamente de ela ter 40 anos, e ele, 30, de ela ter 35, e ele, 10 anos a menos. Tenho casais amigos que vivem felizes e mal se lembram desta diferença de idade. Porque amor não tem nada a ver com estas mesquinharias. Quando se ama de verdade, a gente transpõe estas barreiras com a maior facilidade, mesmo porque, no relacionamento, surgem crises mais importantes do que a data do nascimento que consta no registro de cada um.
Recentemente li numa revista o depoimento de homens que se relacionam com mulheres mais velhas e que gostam e apóiam esta diferença. Uns abordam o fato de elas serem mais ‘‘experientes’’ em todas as áreas. Outros, que mulheres mais velhas os incluem num mundo mais sólido, a relação é mais aprofundada; outros ainda, que com mulheres mais velhas ‘‘tudo é muito melhor’’. Mas todos foram unânimes em dizer que gostam tanto de sua parceiras que nem sem lembram do detalhe da idade.
Quando uma amiga minha se apaixonou por um moço 15 anos mais novo que conheceu na mesma empresa onde trabalha, apostei de cara na relação. E insisti para que ela não desanimasse apesar das críticas e bombardeios que viriam, com certeza. E ela foi mesmo criticada, inclusive por uma trupe de mulheres frustradas que daria o dedo polegar para estar no lugar dela. Mas ela lutou por aquilo que queria e a relação hoje é tão consistente e boa que eles tiram de letra situações preconceituosas que surgem pelo caminho. Amor x idade, para mim, é algo totalmente superado. Se a mulher é mais velha e o homem com quem ela mantém um relacionamento a quer daquele jeito, é porque ela é mais especial do que imaginava.
Num cerco tão machista onde vivemos, quando o corpo perfeito de uma mulher de 20 anos é explorado tão descaradamente, num País onde os bumbuns invadem a mídia tão grosseiramente, quando uma parte dos homens ainda se reúne num bar para comentar quem tem mais ‘‘abundância’’: Carla Perez ou Tiazinha?, um homem ao assumir uma mulher mais velha, pelo menos, para mim, mostra o quanto é sensível, inteligente e bem resolvido. E que tem algo que me chama a atenção: desprendimento. Aquela capacidade que poucos têm de deixar de cultuar determinadas regras e desapegar-se de outras. Apaixonar-se por uma mulher 10 anos, 15 anos mais velha é isto. Ou vice-versa.
Esta minha amiga que hoje é feliz, bem-casada com seu parceiro 15 anos mais novo, desaprendeu comportamentos que funcionavam no passado e hoje aprende uma nova realidade de vida. Os costumes são outros, o dia-a-dia é motivado por mudanças. E com ele é a mesma coisa. A diferença de idade, ao meu ver, só colaborou para o bom relacionamento.
O segredo do amor eterno está muito além da data de nascimento de cada um. Quem ama alguém sabe do que estou falando. Mas este segredo já é motivo para uma próxima crônica.
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