BYE, PREACHER!
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de setembro de 2000
Nelson Sato De Londrina 
Fim de linha para o reverendo Jesse Custer. Preacher, o gibi mais cult dos anos 90, acabou. O último número da série acaba de sair nos Estados Unidos brindando seus leitores com uma galeria de desenhos assinados por craques do traço como Brian Bolland, Dave Gibbons e Bruce Timm.
A despedida deu lugar à celebração aumentando os boatos sobre uma possível versão cinematográfica da saga. Preacher é publicado no Brasil pela editora Brainstore, do londrinense Eloyr Pacheco. Foi criado na metade da década pelo roteirista Garth Ennis em dupla com o desenhista Steve Dillon.
Há dois anos, faturou o prêmio Eisner Awards (o Oscar dos quadrinhos) na categoria de melhor série contínua. Também há dois anos, seu protagonista foi eleito o melhor personagem pelos leitores da revista Wizard, a bíblia do mercado dos quadrinhos, herdando o posto ocupado durante várias primaveras por Sandman.
Preacher mescla gêneros combinando terror, policial, western e misticismo. Repleto de situações improváveis, narra as aventuras de Jesse Custer, um pastor que perdeu a fé e que sai em busca de Deus coadjuvado por um batalhão de personagens bizarros. Na introdução da série, que foi considerada uma das mais profanas da história da HQ, ele aparece pregando na igreja da pacata Anville.
De repente, uma explosão manda tudo para os ares. Todos os fiéis viram churrasco menos ele que, no meio da fumaça, é possuído por Gênesis, filho bastardo de um anjo e um demônio. Quando acorda, percebe que está com uma arma poderosa: a Palavra, capaz de fazer todo mundo lhe dizer amém. A partir daí, sai em busca de respostas. É quando as mais estranhas criaturas cruzam seu caminho.
A fauna é de outro mundo e inclui gente como a namorada Tulipa (ex-stripper e matadora de aluguel), Cassidy (um vampiro irlandês beberrão que sabe de cor as músicas do U2), The Saint of Killers (um cowboy santo que mata qualquer um que vê à sua frente), Arseface (um suicida que na tentativa de imitar seu ídolo Kurt Cobain dispara um pipoco na cabeça e fica com a cara deformada em forma de um ânus), além de um policial gay, um xerife racista e um agente do FBI que faz piadas com o Arquivo X.
Os diálogos cospem insultos e palavrões. Um leitor chegou a apresentar uma estatística das barbaridades no site http://geocities.com/Soho/2973/preachebad.html. A revista nunca foi censurada, mas eriçou os cabelos dos defensores da moral e bons costumes. O sucesso foi estrondoso. Nem bem chegou às bancas, a derradeira edição já disputa as prateleiras com o episódio inaugural da coleção, que será republicada integralmente pelo selo Vertigo da DC Comics.
Preacher durou 66 números. Todas as capas, cujas ilustrações foram feitas por Glenn Fabry, deverão ser reunidas numa encadernação especial a ser lançada no final do ano e já batizada de Preacher: Dead Or Alive / Covers by Fabry. O volume vai incluir textos do roteirista Garth Ennis, do próprio Fabry, além de sketches e anotações feitas pelo artista.
Preacher elevou o prestígio de Ennis às alturas. Foi comparado a Alan Moore, Neil Gaiman e Grant Morrison. No Brasil, Preacher vem ostentando uma trajetória errática no mercado. Começou na extinta editora Metal Pesado, passou para a Tudo em Quadrinhos e agora sai pela Brainstore. Com uma periodicidade irregular, a série deve acalmar seus leitores este mês, quando pulam da gráfica Preacher 3 e a história especial fechada Preacher: O Cavaleiro Altivo.


