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PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de junho de 2013
Geraldo Bessa<br>TV Press 
Pequenas alterações no formato e no conteúdo são comuns em programas com problemas de audiência. Mas, no caso do matutino "Encontro com Fátima Bernardes", as inúmeras mudanças feitas pela Globo só atestam o quão precoce e mal concebido foi o lançamento do programa. Prestes a completar um ano no ar e ainda com a audiência oscilante entre 6 e 8 pontos no Ibope, a produção foi sendo reformulada aos olhos do público.
A primeira coisa a ser trocada foi o festival de bobagens e assuntos sem qualquer interesse das primeiras semanas. Em seguida, o programa tratou de colocar uma plateia mais participativa e que realmente tivesse a ver com as matérias e discussões do dia. Na sequência, a parte bem-humorada ficou apenas na figura do eficiente Marcos Veras, e o lado jornalístico, antes tão fundamental, foi esquecido. E por fim, a emissora passou a "badalar" o início e o final de suas tramas no programa, além, é claro, de escalar seus nomes mais famosos para acordarem cedo e prestigiarem Fátima Bernardes.
Grande parte das alterações tem nome: Boninho. Em fevereiro deste ano, ao assumir o núcleo da produção, o diretor tratou de aparar os excessos, principalmente, o flerte com a teledramaturgia, aposta implementada pelos idealizadores do programa, Maurício Farias e Guel Arraes.
Há poucas semanas, todas as modificações foram ratificadas e ganharam um novo e multicolorido cenário. Entre tantas alterações conceituais, uma certeza: ainda falta alguma coisa no "Encontro com Fátima Bernardes". A impressão que o novo cenário passa é que esperaram a apresentadora se soltar e mostrar-se mais à vontade no esquema "papo e música" do programa, para a colocarem em um ambiente frio, de gosto duvidoso e visivelmente desconfortável para todos os que estão no cenário. Basta ver o jeito irrequieto com que Fátima e seus convidados ficam nas poltronas e cadeiras do programa. Braço direito da apresentadora no comando da produção, Lair Renó aparece totalmente deslocado ao interagir com o telespectador através de um "tablet", sem ter sequer onde apoiar o aparelho.
Com o objetivo de inovar, o cenário tornou-se o ponto fraco de um programa que, aos poucos, tenta ser mais interessante editorialmente. O que complica essa tentativa é o desespero da Globo em "salvar" a aposta no nome de Fátima como apresentadora da área de entretenimento. Na ânsia pela audiência, a produção acaba atirando para todos os lados: música, cultura popular, psicologia, celebridades, moda e outras amenidades. Como resultado, "Encontro com Fátima Bernardes" se perde em sua própria falta de foco e no tom raso de seu discurso.


