Burt Bacharach rememora seu repertório cult
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segunda-feira, 25 de outubro de 1999
por Roberta Jansen 
Rio, 26 (AE) - Você certamente já cantou e dançou ao som de "I Say a Little Prayer", "Raindrops Keep Falling on My Head" e "Ill never Fall in Love again". Pois esses hits consagrados pelo cinema são apenas alguns dos grandes sucessos do pianista e arranjador Burt Bacharach que resistem ao tempo. E é justamente rememorando seus mais de 40 anos de carreira que o músico se apresenta na quarta-feira à noite no Metropolitan, no Rio.
Apontado por alguns como brega no passado, Bacharach hoje é considerado cult e viu antigos sucessos voltarem ao topo das paradas a bordo de filmes como "O Casamento de Meu Melhor Amigo" e "Austin Powers". Seu rosto foi estampado na capa de "Definitly Maybe", primeiro CD do Oasis. Não bastasse isso, gravou com o roqueiro Elvis Costello o recente "Painted from Memory", que lhe rendeu um Grammy. "Minha música é sobrevivente", afirmou. "Se chegou até aqui pode muito bem perdurar por mais 35 anos."
Bacharach mostra-se feliz com o reconhecimento de artistas mais jovens. "Trabalhar com Costello foi muito bom, ele é tão disciplinado quanto eu", lembrou. E emociona-se ao falar das homenagens prestadas a ele por Noel Gallagher, vocalista do Oasis. "Há dois anos, em uma apresentação, ele me fez uma grande declaração de amor."
Em um mercado que prima por sucessos descartáveis, Bacharach não sabe explicar como é possível fazer sucesso por tantos anos. "Acho que é uma questão de jogar as cartas certas", disse. "Mas tenho pouco controle sobre isso e não planejo nada." Em entrevista concedida no Hotel Copacabana Palace, onde está hospedado, ele se lembrou do início da carreira e da primeira vez que esteve no Brasil, em 1959, acompanhando Marlene Dietrich. "O show foi aqui, no Golden Room do hotel", contou. "Lembro-me de que fui a uma favela e fiquei impressionado com os ritmos."
Tão impressionado, que a música brasileira influenciou muito sua carreira. "Minha primeira influência foi o jazz e depois, a MPB", contou. "Sou fã de Djavan, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Ivan Lins." Ele lembrou ainda que, sempre que é possível, procura tocar com percussionistas brasileiros radicados nos Estados Unidos, como Paulinho da Costa. De 1959 até hoje, foram centenas de composições e mais de dez trilhas de filmes.
Ele contou que gosta muito de compor para o cinema e que
normalmente, se baseia no roteiro. "Mas em alguns filmes, muito visuais, prefiro compor depois de vê-lo", explicou. Para Bacharach, a trilha mais difícil de fazer foi a de "Horizonte Perdido". "As músicas ficaram boas, mas o filme era muito ruim." Em contrapartida, a mais fácil foi a de Butch Cassidy, que lhe rendeu dois Oscars. "O filme é muito bom, tentei não estragá-lo."
Para o show de quarta-feira à noite, Bacharach programou nada menos que 40 canções de seu repertório. Estão previstas "Raindrops Keep Falling on My Head" e "Arthurs Theme" (vencedoras do Oscar de melhor canção),além de "I Say a Little Prayer", "Thats What Friends Are for" , "Ill never Fall In Love again" e "I Still Have That Other Girl", do CD Painted from Memory, entre outras. O pianista tocará com uma banda de seis músicos e três cantores.


