Três inconvenientes atrapalharam o concerto de Turíbio Santos anteontem, no Sesc Londrina. O local inadequado, o som com interferências e o público irrequieto. Veterano em apresentações nos ambientes mais variados, o instrumentista segurou a onda informalizando o show, narrando histórias e explicando o programa. O concerto teve um objetivo didático, de formação de público e apresentação de obras do repertório nacional para violão-solo.
Há 18 anos Turíbio Santos não se apresentava em Londrina. Seu concerto reuniu um público eclético: violonistas da cidade, fãs da música instrumental, guitarristas de rock, estudantes e curiosos, entre outros.
Os problemas começaram já no primeiro número, o complexo ‘‘Choros nº 1’’, de Villa-Lobos. As caixas de som que amplificavam o violão recebiam interferência de uma emissora de rádio. O som do instrumento permaneceu baixo e os recursos da composição não chegaram aos ouvintes como deviam.
O próprio Salão Social do Sesc Londrina, lotado, não ajudou. O local não tem preparo acústico e os ventiladores de teto, ligados, atrapalhavam a difusão do som. Prestes a começar a terceira música, Turíbio alertou: ‘‘Estou ouvindo umas vozes, acho que o ventilador está reverberando.’’ Foi explicado que a interferência vinha de alguma rádio, os técnicos contornaram o inconveniente e o som melhorou.
Com o violão audível, outro empecilho veio à tona: um burburinho constante incomodou quem tentava se concentrar no concerto. Para piorar, as luzes foram acesas antes que Turíbio voltasse ao palco para um último número. O músico pegou um barulho geral, com metade do público em pé, se dirigindo para a saída.
No palco, nadando contra a maré, esteve um músico em plena forma. Turíbio mostrou as possibilidades do violão sem exibicionismo e com excelente repertório: Radamés Gnattali, João Pernambuco, Edino Krieger, Dilermando Reis, Villa-Lobos e o quase desconhecido Sérgio Barbosa, compositor da nova geração.
Várias músicas comprovaram a competência do intérprete. Um bom exemplo foi ‘‘Ritmata’’, de Edino Krieger, composição que explora os limites do instrumento com ênfase na harmonia, exigindo técnicas variadas. Turíbio deslanchou usando dupla digitação, harmônicos, pancadas percussivas, enfim, explorou todo o violão numa peça cheia de armadilhas. Quem conseguiu se concentrar, observou um mestre em ação.
Vale ressaltar a realização do projeto Sonora Brasil que, apesar dos contratempos, trouxe Turíbio Santos para espectadores tão diversificados. Faltou, a boa porcentagem desse público, o respeito de corresponder à iniciativa.

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