Bumba-meu-boi, a estrela do folclore
Não se preocupe com a época para visitar São Luís se o que busca é testemunhar sua musicalidade. O ano inteiro ela é puro som. É claro que há meses em que ecoam mais alto os instrumentos maranhenses, como na festa do São João, a maior dessas paragens. Mas música e dança são, definitivamente, elementos marcantes da capital maranhense.
No calendário, as manifestações culturais começam com um animado carnaval de rua. Entre os foliões, a figura mais presente é a do fofão, personagem popular que é uma espécie de bobo da corte. Crianças e adultos ''se escondem'' debaixo de um largo macacão colorido e máscara de monstro, já que fica impossível identificar quem verdadeiramente é o fofão. E aí mora a graça.
Mas, em qualquer data, vá a Madre Deus, bairro boêmio que reúne os bares e botecos prediletos dos ludovicenses. Fora dali, visite o Bar do Léo, na Feira do Bairro do Vinhais, antiga Cobal. Seu dono coleciona títulos preciosos de MPB e outros gêneros. Vendo CDs, LPs e fitas atrás do balcão, vem a dúvida: qual o tamanho da coleção? ''Quantos não sei não. Mas se faltar um eu sei'', diz. O certo é que o bar reforça a atmosfera musical da cidade.
Mas tudo que se vê e escuta o ano inteiro é só um gostinho da musicalidade maranhense se comparado à festa de São João, a grande festa popular da ilha. A principal atração é o bumba-meu-boi em maio (nos ensaios) e junho (quando de fato ocorre). Ele é o mestre de cerimônias de quadrilhas, danças de coco, de fita, portuguesa, bambaê de caixa. Está feito o espetáculo.
E tem mais. Mulheres de saias rodadas dando barrigadas (ou umbigadas, se preferir), girando umas com as outras. Os homens em volta fazendo o som e contemplando a dança. Você está diante do tambor-de-crioula também conhecido como a dança do santo preto , herança dos africanos fielmente mantida.
Reggae A ilha mantém ainda outra famosa tradição negra: o reggae. A Jamaica brasileira é um título mais que válido para São Luís não só por que o ritmo domina o gosto musical popular. O reggae é levado a sério. Donos dos clubes ou casas de reggae cerca de 80 , os magnatas, na linguagem local, se reúnem toda semana há cerca de oito anos para fechar negócios. No encontro, batizado de Feira do Reggae, são acertados os detalhes para que os clubes abram de quarta a segunda-feira.
As radiolas grandes conjuntos de caixas de som que animam tais casas são contratadas, os lugares, alugados, o passe dos DJs é comprado. A movimentação se justifica. Só quem conhece um clube de reggae tem noção da sua força na cidade. Tudo parece funcionar em sincronia com a cadência gostosa do estilo. As casas levam multidões a se embalar agarradinho, dois a dois. Sim, é o modo maranhense de dançar o som de Bob Marley.
A céu aberto, os clubes ficam apinhados de gente, mas não se vê confusão. Sob a coordenação dos DJs, todos aguardam por uma boa ''pedra''. Mais um termo para entender o vocabulário do reggae do Maranhão: ''pedras'' (ou ''pedradas'') são músicas novas, os hits dos ''regueiros''. Para anunciar que a próxima canção é um desses sucessos, o DJ solta suas vinhetas, que pode ser algo como ''sequência estilosa!''. Criatividade não há de faltar.
Para um turista, fã de reggae ou não, a dica é não perder a chance de conhecer um desses clubes. Não há perigo, principalmente se o objetivo for o mesmo de todos ali: curtir e dançar, na paz. (A.E.)





