"Buffalo 66" sai em vídeo sem passar pelo cinema
São Paulo, 15 (AE) - "Buffalo 66" é a surpreende estréia na direção de Vincent Gallo, mix de ator, modelo de publicidade e artista plástico. Não se sabe se nessas atividades ele se dá bem. Como ator e cineasta funciona bem além da média, o que torna mais inexplicável ainda o fato de um filme como esse estar saindo diretamente em vídeo, sem passar pelo cinema.
A história é a seguinte: o próprio Gallo interpreta Jimmy Brown, um perfeito idiota que passou cinco anos atrás das grades pagando por um crime que não cometeu. Por quê? Porque assumiu uma dívida de jogo, em troca dos US$ 10 mil que não tinha para pagar, concordou em confessar um delito inexistente e ir para a cadeia no lugar do verdadeiro criminoso. A família dele não sabe de nada. Ele manda cartas, como se morasse em outro Estado e diz que tem um emprego importante.
Sai obcecado em liquidar o jogador que julga responsável por sua ida à prisão. Também quer fazer média com os pais. Para isso, sequestra uma garota numa aula de balé e a obriga a passar-se por sua mulher. A engrenagem do filme é bem interessante. Não apenas pela maneira criativa como Gallo apresenta os flash-backs - abrindo janelas na tela e mostrando os fatos do passado que explicam o presente. Mas, sobretudo, pela densidade da interpretação dele próprio e de Christina Ricci que, depois de "O Oposto do Sexo", reafirma sua condição de boa atriz.
Os dois têm de encaixar direitinho em papéis complicados. Billy é um maluco total, vive com os nervos à flor da pele e explode por quase nada. Christine (Layla) é um paradoxo ambulante. Sequestrada e tratada com violência e desprezo, acaba apaixonando-se por Billy. Essa relação de afeto atípica transforma toda a história - mas não da maneira previsível ou sentimentalóide que se imagina. Cinema independente de alto nível. (L.Z.O) Serviço - "Buffalo 66". EUA, 1998. Dir. de Vincent Gallo, com Vincent Gallo, Christina Ricci, Anjelica Huston. Columbia.





