Bruno Gagliasso fala de sua preparação para viver Tarso
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de abril de 2009
Mariana Maziero<br> Folhapress 
A novela ''Caminho da Índias'' (Globo) está colocando em discussão o drama de descobrir, tratar e conviver com uma doença mental. O ator Bruno Gagliasso interpreta Tarso, um garoto esquizofrênico que sofre com a falta de informação e a dificuldade de aceitação da família. Em entrevista, Bruno fala sobre como tem se preparado para as cenas mais difíceis de Tarso e sobre o que mudou em seu dia a dia depois de estudar o personagem.
Como você tem se preparado para viver a doença de Tarso?
Tenho estudado, lido sobre o assunto, falo com especialistas, mas há coisas que aprendo indo a campo mesmo. Eu visito com frequência hospitais psiquiátricos, converso com as pessoas internadas e com seus familiares. Farei isso até o final da novela, porque o Tarso vai passar por diversas fases da esquizofrenia. Então não tem como fazer um laboratório. É um estudo que eu tenho de fazer ao longo da novela.
E você já conhecia alguma coisa sobre a esquizofrenia?
Não. E me envergonho por isso. Muitas pessoas sofrem com isso, e eu não tinha nem ideia do que era a doença. Sabemos de muitos esquizofrênicos que ficam a vida toda presos por falta de informação. Isso é muito triste.
O Tarso tem alguns trejeitos que anunciam que ele está em surto, como o olhar. Isso também foi tirado de pesquisas?
Tudo foi tirado do real. Os surtos geram grande quantidade de adrenalina e, como não há o controle emocional, as pessoas extravasam com movimentos peculiares. Pode ser com a perna ou os braços, por exemplo.
Fazer esse personagem mudou sua rotina?
A rotina não. Na verdade, mudou a forma como vejo as pessoas, o mundo e a doença. Por causa do personagem, também acabo lendo livros sobre o assunto e visito lugares que, com certeza, antes eu não visitava.
Este não é seu primeiro papel polêmico. Na novela ''América'', você interpretou um homossexual. Você gosta de papéis assim?
Eu gosto de todo papel que me desafie como ser humano. Acho que o personagem tem de acrescentar algo, tanto como ator quanto como ser humano. Estou feliz com a repercussão, principalmente pelo carinho que recebo de quem passa ou já passou por isso.
Falando nisso, você pretende fazer algum trabalho social com esse tema?
Acho que estar mostrando esse drama em rede nacional já é um trabalho social. Também criei um blog (www.gagliassoblog .com.br), que é uma espécie de caderno de estudo. Lá, as pessoas podem discutir sobre a doença.
Gostaria que você fizesse uma análise do caso do Tarso.
O que o Tarso tem passado é o que mais acontece com quem está descobrindo a doença. Essa é uma doença que envolve a família, e ele precisa de ajuda. O objetivo do personagem é mostrar que não podemos ter preconceito e que, quando a pessoa volta a ter controle de si mesmo, precisa de apoio.


