Bruna Surfistinha ataca de DJ em Londrina
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quinta-feira, 13 de março de 2014
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
A vida dela daria um livro ou um filme. E deu. Poucas mulheres brasileiras tiveram a privacidade tão exposta quanto a paulista Raquel Pacheco, 27 anos, mais conhecida pelo codinome Bruna Surfistinha.
Ex-garota de programa, cujas experiências foram relatadas em livros e no filme protagonizado pela atriz Débora Secco, ela chega hoje a Londrina como "DJ" convidada do New York Club. A festa começa às 23h e os ingressos custam R$ 18 (até meia-noite) e R$ 22 (após). Bruna dividirá a discotecagem com os Djs Felipe Rocha e Pivetti.
Diferentemente de outras "celebridades" que incursionam pela cabines de casas noturnas, ela garante que está levando profissionalmente a atividade atrás das pickups. Já fez dois cursos de formação de DJ e planeja inscrever-se num curso de produção musical no segundo semestre deste ano. Toca em festas desde 2011. Seu estilo preferido é o electro house.
"Os DJs que criticam as celebridades nas pickups não pensam que com tempo rola uma filtragem natural. Só quem realmente é bom, que encara como trabalho e discoteca de verdade, consegue se manter. Muitos surgem do nada, mas deixam de se apresentar como DJ com a mesma velocidade que começaram. Acho que acontece em qualquer profissão. Há espaço para todo mundo", diz à Folha Dois.
Na entrevista ela conta que, além de faturar como DJ, incrementa o orçamento vendendo produtos em "chás eróticos" para grupos de mulheres. Antecipa que está escrevendo seu quinto livro e que a produção de uma série baseada em sua vida está "engatinhando" na Fox.
Folha de Londrina: Quando você virou DJ? Como surgiu o interesse?
Bruna Surfistinha: O interesse surgiu desde que comecei a frequentar baladas, quando ainda era pré-adolescente. Sempre tive admiração por este trabalho até mesmo porque sabia que não era chegar ali e simplesmente apertar botões. Em dezembro de 2010, um amigo se tornou sócio de um pub, At Nine, em São Paulo e eu fui com meu marido na inauguração. Lá tinha uma pista pequena para dança e um DJ comandando o som. Comentei com nosso amigo que tinha vontade de aprender e então ele me incentivou. Numa tarde, quando o pub estava fechado, fui para conhecer o equipamento e aprender o básico na prática. Percebi que seria interessante fazer um curso e então me matriculei na escola DJBan, onde fiz o módulo para iniciantes no início de 2011. Enquanto não completava o curso, discotecava três vezes por semana no pub para treinar e colocar na prática o que estava aprendendo. O interessante é que o público não sabia que era eu, pois a cabine de DJ ficava num canto atrás de uma cortina. Apenas quando concluí o curso e estava segura, a cortina saiu e fui apresentada como uma das DJs residentes. Depois de quatro meses, nosso amigo resolveu vender a parte dele da sociedade, e eu resolvi seguir meu caminho. Foi quando comecei a viajar pelo Brasil para mostrar meu novo trabalho. Em 2012, fiz um novo curso, desta vez avançado na escola Beatmasters. No segundo semestre deste ano, farei o curso de produção musical.
Os DJs profissionais costumam criticar acidamente as celebridades que enveredam pelo mundo das pickups. Você já ouviu muitos desaforos por aí?
O que acontece muito comigo desde o início é o fato do DJ residente me tratar com pouco caso quando chego para tocar, mas no final da minha apresentação, vem comentar comigo algo do tipo: "mas você toca de verdade!". Percebo que ficam surpresos, pois esperam que vou colocar um CD pronto e ficar mandando beijinho para o povo na pista. Acontece também de quererem me explicar como funciona o mixer e os CDJs, daí digo que não precisam me ensinar, que preciso apenas saber em quais canais os CDJs estão ligados. Já toquei com computador, mas odiei, prefiro CD. Os DJs que criticam as celebridades nas pickups, não pensam que com o tempo rola uma filtragem natural. Só quem realmente é bom, que encara como trabalho e discoteca de verdade, consegue se manter. Muitos surgem do nada, mas deixam de se apresentar como DJ com a mesma velocidade que começou. Acho que acontece em qualquer profissão. Há espaço para todo mundo.
Seu set tem um estilo de som definido ou você toca de tudo?
Meu estilo é electrohouse, pois é o tipo de som que mais gosto de mixar, ouvir, dançar. Mas se for necessário, toco de tudo como acontece quando sou contratada para festas de casamento ou então para alguma festa com um som específico tipo anos 80. Também já participei duas vezes da festa Gambiarra, quando toquei apenas músicas nacionais.
Discotecar é sua principal atividade profissional hoje? Tem outra fonte de renda?
Não é meu principal trabalho, mas é meu foco. Durante a semana, vendo produtos eróticos, realizo `chás eróticos´ para grupos de mulheres, dou dicas, ensino truques, tiro dúvidas e aproveito para vender os produtos. Estou fazendo uma loja virtual que ficará pronta no máximo em duas semanas e pretendo investir em uma loja física ainda neste ano. Além disso, indiretamente eu tenho renda através de recebimento de direitos autorais dos livros que publiquei e licenciamento de produtos.
Você ainda enfrenta situações em que as pessoas confundem sua vida atual com o passado de garota de programa?
Cada vez menos isto acontece. Tanto o filme como minha participação num reality show contribuíram para as pessoas separarem meu passado na prostituição com o meu presente. Em outubro deste ano, fará 9 anos que me aposentei na prostituição, então já é um detalhe que está bem distante.
O deputado Jean Wyllys (PSOL) tem um projeto de lei que propõe legalizar a prostituição, regulamentando a atividade das profissionais do sexo. Qual a sua posição sobre esse assunto?
Acho que demorou para isto acontecer. É uma das profissões mais antigas e que é necessário ser considerada como tal. Por não ser legalizada, sofri nas mãos de cafetões, me senti uma escrava branca, pois eles aproveitam da falta de regulamentação. Nada mais justo do que as garotas de programa usufruírem de todos direitos.
Você escreveu quatro livros. Tem planos de escrever outro?
Meu livro mais recente é numa versão diferente, em formato de cards, chama-se "100 dicas de sedução de Bruna Surfistinha". Já comecei a escrever o quinto e acho que será publicado ainda neste ano em comemoração aos meus 10 anos na mídia e que criei a Bruna Surfistinha.
Você ainda escreve em blogs?
Com a loja virtual dos produtos eróticos, voltarei a ter um blog da Bruna para dar dicas e comentar notícias que envolvem sexualidade. Quando parei de fazer programa, ainda tentei manter o blog onde tudo começou, mas perdi o tesão de escrever nele e o tirei do ar. No momento, mantenho um blog pessoal ( www.raqpac.blogspot.com ), mas não o atualizo diariamente.
No ano passado, a Fox anunciou que estava produzindo uma série sobre a sua trajetória. Como ficou esse projeto?
Ainda não estou autorizada para comentar sobre este projeto, apenas posso dizer que já está engatinhando.
Serviço:
Festa com discotecagem de Bruna Surfistinha
Quando: Hoje às 23h
Onde: New York Club (Av. Pref. Faria Lima, 765), em Londrina
Ingressos: R$ 18 (até meia-noite) e R$ 22 (após)
Informações: (43) 3338-4242


