Rio - Bruce Springsteen representou, para este Rock in Rio, o mesmo que Stevie Wonder para o festival de 2011: o veterano que chega para mostrar que boa música vale mais que cantor pulando de tirolesa ou fazendo protesto político usando nariz de palhaço.
Springsteen e sua banda, a incomparável E Street Band, tocaram para o menor público de todos os artistas do palco Mundo no sábado. Depois do show de John Mayer - um James Taylor da geração "Crepúsculo" - boa parte da plateia debandou.
Quem foi embora perdeu uma apresentação memorável: 26 músicas em duas horas e quarenta minutos de show. Foi curto para os padrões de Springsteen - os shows de SP e Santiago duraram mais de três horas -, mas intenso e cheio de grandes momentos. E com direito ao álbum "Born in the USA" (1984) tocado na íntegra.
A exemplo do show de São Paulo, ele abriu com versão matadora de "Sociedade Alternativa" (1974), de Raul Seixas e Paulo Coelho, com um dançante arranjo à Motown. "Obrigado, Raul Seixas", disse o cantor. O repertório teve ainda clássicos como "Badlands", "Hungry Heart", "Dancing in the Dark", "Born to Run" e "Thunder Road".
A formação atual da E Street Band é a mais numerosa que já tocou com Springsteen. Reúne 15 músicos excepcionais, incluindo o baterista Max Weinberg, os guitarristas "Little" Steven Van Zandt e Nils Lofgren, o baixista Garry Tallent (único membro original do grupo, com Springsteen desde 1972) e o novato saxofonista Jake Clemons, que substituiu o tio, o adorado Clarence Clemons, morto em 2011.
Springsteen passou o show correndo pela imensa extensão do palco, saudando os fãs e pulando nos braços da galera. Chamou meia dúzia de fãs para cantar "Dancing in the Dark" e deu o microfone a um fã mirim, que não devia ter mais de dez anos, cantar "Waitin' on a Sunny Day".
Exausto, o cantor, que fez 64 anos ontem, se refrescava enfiando a cabeça em um balde de água com gelo e levou um banho do guitarrista Little Steven (o Silvio Dante de "Sopranos").
No fim, a banda emendou "Twist and Shout" e "La Bamba" e fez do lugar num imenso baile. Springsteen ainda voltou para tocar, sozinho, "This Hard Land". "Não vamos demorar a voltar", disse. Esperamos que não. (André Barcinski/Folhapress)

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