Pequim - Bruce Lee, estrela de Hollywood e professor de artes marciais que introduziu a imagem do homem chinês entre os ocidentais, continua atraindo milhares de pessoas ao local de nascimento de seus antepassados 30 anos após sua morte.
Menos de um mês após sua inauguração, em Cantão (província sulina chinesa de Guangdong), o museu dedicado a esta lenda se viu repleto de fãs e curiosos.
Instalado numa casa de chá na localidade de Shunde, onde nasceram o pai e o avô da estrela, o museu reúne mais de 500 cartas, cartazes cinematográficos, fotografias e outros objetos que pertenceram a Bruce Lee.
O acervo do museu pertence a Huang Dechao, um grande admirador do ator que dedicou a última década à coleta de objetos relacionados ao ator-lutador.
‘‘Não só as pessoas de sua cidade natal admiram Lee, mas todos os chineses se sentem orgulhosos dele’’, diz Huang.
Bruce Lee, cujo verdadeiro nome era Lee Hsiao Lung, nasceu em San Francisco em novembro de 1940, filho de um famoso cantor de ópera chinês.
Entretanto, cresceu em Hong Kong, onde começou seus estudos de artes marcisis e rapidamente se tornou uma estrela infantil na emergente indústria cinematográfica oriental.
O ator só visitou Shunde - 60 quilômetros ao noroeste de Hong Kong - em uma ocasião, quando tinha cinco anos.
Por isso os seguidores de Bruce, de Hong Kong, criticaram as autoridades da cidade por não criarem um museu similar na ilha, apesar de o famoso ator ter mantido laços mais estreitos com Hong Kong do que com a China.
Aos 17 anos foi enviado de volta aos Estados Unidos por seu pai, para evitar que continuasse envolvido ‘‘no mundo das brigas’’.
No continente americano criou um novo gênero de arte marcial, conhecido como Jeet KunDo, uma combinação do Kung Fu chinês com o boxe, praticado no ocidente, e criou sua própria escola.
Bruce interpretou pequenos papéis em filmes de Hollywood, como ‘‘Marlowe’’, e algumas grandes estrelas se tornaram discípulos do ‘‘Pequeno Dragão’’, entre eles James Coburn, Steve McQueen e Lee Marvin.
Lee regressou a Hong Kong no início da década de 70 para reiniciar sua carreira cinematográfica. Entre os filmes que fez naquela época está ‘‘Way of the Dragon’’, o primeiro de artes marciais que recebeu apoio de um dos grandes estudos de Hollywood, Warner Brothers.
O ator morreu aos 32 anos, de forma repentina, em razão de um edema cerebral em 20 de julho de 1973.
Hao Gang, que lidera a Sociedade Internacional de Pesquisa sobre Bruce Lee e Jeet KunDo e presidente da Faculdade de Educação Física da província sulina de Hunan, diz que a prática atual das artes marciais difere muito da prática da época do rei do Kung Fu.
‘‘As pessoas já não aprendem artes marciais para enfrentar os outros, o Kung Fu tornou-se uma arte para ajudar a cultivar o físico e a moral’’, explica Hao, acrescentando que mais de 40.000 pessoas aprenderam Jeet KunDo em sua faculdade.
As artes marciais tradicionais da China, conhecidas como Wushu, se espalharam por 86 países e diversas regiões; só no gigante asiático há mais de 60 milhões de praticantes, segundo a Associação de Artes Marciais da China, que luta para que esta prática entre na lista dos esportes olímpicos.

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