Os brinquedos continuam sendo uma das grandes estrelas das festas natalinas. Antigos ou modernos, lúdicos ou tecnológicos, simples ou sofisticados, eles encantam crianças das mais variadas origens e culturas. E mesmo com as infinitas mudanças comportamentais que a humanidade atravessa continuam liderando o ranking dos itens mais aguardados entre os presentes de Natal no mundo todo.


Bernardo Pellegrini e o filho Antônio: "Antes as crianças brincavam com os brinquedos, hoje os brinquedos fazem tudo sozinhos e elas ficam apenas assistindo"
Bernardo Pellegrini e o filho Antônio: "Antes as crianças brincavam com os brinquedos, hoje os brinquedos fazem tudo sozinhos e elas ficam apenas assistindo" | Foto: Saulo Ohara



Para o jornalista, cantor e compositor Bernardo Pellegrini, os brinquedos despertam memórias de uma feliz infância vivida em Londrina nos anos 1960. "Nenhuma lembrança ficará tão vívida na minha memória de criança como os passeios pelas Lojas Fuganti, um impressionante magazine onde havia de tudo em três andares de permanentes novidades. Entrávamos no elevador e um ascensorista em trajes a rigor - inclusive com o colete e aquele chapeuzinho de ascensorista de filme - abria as portas anunciando os produtos de cada andar. O melhor de tudo ficava no terceiro andar (ou seria o segundo?) quando o bom homem abria as grades de ferro do elegante elevador e anunciava o paraíso: - Brinquedos", relata.

Apesar do universo dos brinquedos industrializados povoar seus sonhos infantis, o artista conta que só ganhou seu primeiro brinquedo comprado na loja aos sete anos de idade. "Eu ficava deslumbrado com os brinquedos que via na loja, mas minha família vivia uma fase de dureza completa. Me lembro que somente quando uma fiz uma cirurgia para a retirada das amígdalas, aos sete anos, foi que meu pai me presentou com um colder com dois revólveres e um monte de espoleta", comenta.

Pellegrini salienta que a falta de recursos financeiros que inviabilizou a compra de brinquedos nunca impediu que ele tivesse uma infância rica de brincadeiras. "Me divertia com pipas e estilingues que a gente mesmo fabricava, ou então jogando bola, brincando de bafo de figurinhas e outras tantas brincadeiras", afirma.

Já adulto, o músico passou a se preocupar com os brinquedos com os quais passou a presentear filhos e netos. "Sempre tive essa preocupação de escolher brinquedos que ajudassem no desenvolvimento intelectual e na coordenação fina das crianças. Acho que hoje em dia isso ficou mais difícil pois antes as crianças brincavam com os brinquedos e hoje os brinquedos fazem tudo sozinhos e elas ficam apenas assistindo", reclama.


Poka Marques integra o ontem e o hoje oferecendo a pais e filhos oficinas para construção de carrinhos de rolimãs
Poka Marques integra o ontem e o hoje oferecendo a pais e filhos oficinas para construção de carrinhos de rolimãs | Foto: Marcos Zanutto



Brincadeira interativa
Repaginando os antigos carrinhos de rolimã, o artesão Poka Marques descobriu uma forma de promover uma interação maior entre pais e filhos. "Em parceria com a Loja Ciranda, há cerca de três anos oferecemos oficinas que ensinam as crianças e os pais a construírem os carrinhos de rolimã. O fato de estarem juntos construindo o brinquedo já é um momento especial para ambos e torna a brincadeira muito mais significativa depois que o carrinho fica pronto", enfatiza.

Ele esclarece que durante a oficina que dura cerca de duas horas, crianças e adultos trabalham juntos na montagem do carrinho que ganhou um versão mais moderna. "Antigamente, a gente construía os carrinhos com restos de madeira e eixos que encontrávamos em ferro velho e o freio era feito de improviso na sola do Kichute. Hoje em dia trago de casa todas as peças necessárias para o carrinho que acabou ganhando um sistema de freio construído com alavanca de borracha, que é bem mais seguro", ressalta.

O artesão diz que a maioria dos alunos costuma sair a oficina querendo testar imediatamente o carrinho recém-fabricado. "É muito bom ver a sensação de entusiasmo e interação entre pais e filhos que saem da loja direto para a ladeira do Jardim Botânico, local que acabou se tornando uma pista improvisada para os carrinhos de rolimã que continuam fazendo sucesso entre a garotada", relata.

Os óculos de realidade virtual hoje levam as crianças para dentro dos cenários de vídeo game através da tecnologia que une efeitos em 3D com imagens em 360 graus
Os óculos de realidade virtual hoje levam as crianças para dentro dos cenários de vídeo game através da tecnologia que une efeitos em 3D com imagens em 360 graus | Foto: Shutterstock



Animação virtual
O avanço tecnológico elevou o mundo do entretenimento a uma dimensão imensurável. Uma amostra disso pode ser percebida facilmente por quem já teve contato com os óculos de realidade virtual. "Ao usar esses óculos, a pessoa tem a sensação de estar dentro dos cenários dos jogos de vídeo game. Essa ilusão acontece graças a uma tecnologia que une efeitos em 3D e imagens em 360 graus. É o que há de mais moderno e uma experiência que encanta tanto crianças quanto adultos", afirma Gabriel Modenuti, proprietário da loja Koopa Troopa.

Na avaliação dele, a popularidade dos óculos de realidade virtual só não é maior devido ao alto custo do equipamento. "Além dos óculos, é necessário possuir um vídeo game compatível e uma câmera de vídeo. Para comprar todos esses itens a pessoa vai gastar em torno de R$ 5 mil, valor que impede que a procura pelos óculos seja ainda maior", esclarece.

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