Quem conta um conto sempre aumenta um ponto. Monteiro Lobato não recusou a premissa, fazendo das fábulas de La Fontaine e Esopo, histórias com a carinha do Brasil, que a companhia teatral Clowns de Shakespeare, de Natal (RN), reinventa no espetáculo ''Fábulas'', atração de hoje a quarta-feira, às 19h, no Circo Funcart, na programação do 40º Festival Internacional de Londrina (Filo).
O próprio grupo ''ousou'' corrigir Lobato, deixando de lado algum ''complicadês'' do mestre, criando um texto do tamanho certinho para agradar adultos e crianças. Com direção de Fernando Yamamoto, um dos fundadores do grupo que nasceu durante uma aula de literatura numa escola de segundo grau, o espetáculo conquistou o Prêmio Coca-Cola, uma espécie de Oscar do teatro infantil, de Melhor Ator para o londrinense Rogério Ferraz e também o da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
Já Yamamoto ganhou os prêmios da APCA e Coca-Cola pela direção do espetáculo. ''Representar para crianças acaba se tornando um desafio. Quando não gostam do que estão vendo, costumam pedir para sair. Os adultos já têm um comportamento diferente'', afirma Ferraz, que está há cinco anos no RN.
Primeira peça infantil da companhia, ''Fábulas'' estreou há dois anos e meio, colocando nesse caminho personagens como a onça, o coelho, a raposa e o lobo, que se encontram num texto cheio de humor da montagem. ''Também apresentamos nesse espetáculo a história 'Bom dia, todas as cores', de Ruth Rocha e outra, que um personagens tenta contar e os demais não deixam'', acrescenta a atriz Nara Kelly.
Yamamoto lembra que a peça é um pouco das lembranças do elenco. A música ajuda a contar essas histórias, assumindo uma função dramática. Todas as canções foram compostas para a peça, sendo que outras são de domínio público. ''O segredo de contar histórias é viver essas histórias, como acontece com as crianças quando estão brincando'', destaca Marco França, que assina a trilha sonora da peça.

mockup