Houve um época em que crianças desciam as ruas pilotando carrinhos de rolemã, tomavam banho de rio, jogavam pião, fabricavam carrinhos com velhas latas e óleo, brincavam de pé-na-lata, ciranda, perna-de-pau, garrafão, bafo, burica e muito mais.
Não foi uma época longínqua, talvez duas ou três décadas. Um tempo em que os brinquedos precisavam ser construídos, inventados. Uma época que foi substituída pela velocidade do brinquedo como mercadoria, da brincadeira como produto econômico, não lúdico.
Walter Ney, em seu livro de estréia ‘‘Tempo de Infância’’, traz à tona toda essa cultura infantil atualmente esquecida em algum buraco da periferia das cidades. Um universo comum para grande parcela das crianças que nasceram na década de 50 e 60.
O livro reúne 30 crônicas nas quais o autor narra suas memórias de infância, dando ênfase aos hábitos cotidiano das crianças da Vila Nova, Vila Casone e Jardim do Sol, bairros pioneiros da cidade de Londrina. Realiza um resgate históricos dos brinquedos das décadas de 50 e 60 da periferia de Londrina, ergue um pedaço histórico da cidade a partir do universo infantil.
Tudo indica que as crônicas memorialísticas de ‘‘Tempo de Infância’’ sejam um dos poucos relatos da história cotidiana da infância da periferia de Londrina das décadas referidas. Na forma de crônica, mesmo com um registro emocional do passado, o relato de Walter Ney não realiza um acerto de contas com o passado. Pelo contrário, realiza um passeio pela própria infância dando-lhe um caráter histórico e geográfico através da alegria. Uma confluência entre o memorialismo e a crônica cotidiana. (M.L.)

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