Mas, afinal, qual é o barato de um briquedo aparentemente superado por formas de diversão eletrônicas e mais interativas? ''É engraçado, porque só fui pensar nisso depois de cumprir o desafio. Acho que o interessante é o que a pessoa projeta no trem. Porque você joga toda a sua imaginação nele'', diz o artista plástico catarinense Marko Markora, criador da comunidade do Orkut ''Volta Ferrorama''.
O colecionador e comerciante Celso Navarro, de Curitiba, vai além. Dono da loja Passatempo, especializada em modelismo, ele faz questão de afirmar que o trem da Estrela não é sinônimo de ferreomodelismo. Mesmo assim, não deixa de ser uma ótima ''porta de entrada'' para esse hobby, considerado o mais completo do gênero. ''Para montar uma maquete fiel, é preciso ter conhecimentos de eletricidade, química, marcenaria, mecânica e, principalmente, história'', explica.
Para o comerciante, a maior batalha dos aficionados por modelismo é justamente provar que há uma pesquisa histórica e cultural aprofundada por trás de seus projetos. ''Num país sem memória como o Brasil, as pessoas ainda acham que os modelos são apenas brinquedos'', lamenta.
Navarro, que tem um antigo Ferrorama em seu estoque, também vê a volta do trenzinho às lojas como uma iniciativa positiva para a indústria nacional. ''Ficou um vácuo no mercado quando a Estrela tirou o produto de circulação. E toda a vez que isso acontece, o espaço é ocupado pelos brinquedos chineses'', diz. (O.G.)

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