Brincadeira levada a sério
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terça-feira, 15 de outubro de 2013
Márcio Maio<br>TV Press 
Ter crianças em novelas e séries parece ser um desejo cada vez maior dos autores. Seja para tentar atrair uma parte do público infantojuvenil para a tela ou simplesmente por poder explorar conflitos que envolvam questões referentes à maternidade e à paternidade, por exemplo.
Mas contar com menores em cena demanda certos cuidados e restrições. Como gravar apenas depois dos excessos que, muitas vezes, são cometidos no estúdio depois de um longo dia de trabalho. "A gente tem de maneirar no que fala porque, afinal, tem uma criança ali. Não cabe dizer palavrões ou usar determinadas expressões mais adultas", exemplifica Luma Costa, que encarna a "stripper" Odete Roitman em "Pé na Cova". Na série, a jovem e sua namorada, a mecânica Tamanco, vivida pela cantora Mart'nália, adotam o órfão Sermancino, interpretado por Gabriel Lima, de apenas 11 anos.
Mas o cuidado ao ter uma criança no elenco vai muito além disso. Horários das refeições e das aulas escolares têm de ser respeitados. Quando há um bebê em cena, a gravação para a cada três horas para que a mãe possa amamentar. Se possível, a preferência é por contratar gêmeos, assim um trabalha enquanto o outro descansa. Às vezes, até camas são colocadas nos camarins para que os atores mirins possam cochilar entre um intervalo e outro.
"Demanda uma atenção especial, mas nada que prejudique o andamento do estúdio. As crianças e adolescentes existem na vida, não podem simplesmente não aparecer nas novelas. É um esforço necessário", avalia Alexandre Avancini, diretor de "Pecado Mortal", da Record. Hoje, ele trabalha com apenas três crianças no elenco, mas esse número já foi bem maior quando dirigiu "Caminhos do Coração", que deu origem à trilogia "Os Mutantes".
Ter uma cama para que os mais novos descansem nos intervalos pode até parecer um exagero. Afinal, uma rotina de trabalho que começa por volta das 14 horas e, normalmente, se encerra algumas horas depois não parece tão estafante. Mas André Pellenz, diretor da série "Detetives do Prédio Azul", do canal por assinatura infantil da Globo, o Gloob, mostra exatamente o contrário. É que, diferentemente da maioria do resto da equipe, o dia desses "pequenos" aprendizes começa bem cedo. "Não podemos esquecer que, quando eles chegam para gravar, já vêm de uma manhã intensa de estudos no colégio. Não dá para exigir demais e tudo que se pode fazer para amenizar o cansaço deles deve ser feito", atesta ele, que comanda as gravações com os jovens Cauê Campos, Letícia Pedro e Caio Manhente.
Em alguns casos, um ator mirim não apenas integra o elenco de uma produção, mas também está entre seus nomes principais. Isso mesmo quando não se trata de uma trama voltada para o público infantojuvenil.
Klara Castanho, por exemplo, interpreta a disputada Paulinha de "Amor à Vida", filha roubada no parto da mocinha Paloma, de Paolla Oliveira. E Mel Maia vive a doce Pérola, de "Joia Rara", que inspira o nome do folhetim. No caso dela, sua escalação é antiga e, por conta desse trabalho, a menina, de apenas nove anos, ficou reservada desde que encerrou "Avenida Brasil" para esse personagem. "Ela é um fenômeno, tem um carisma que poucas crianças têm. Guardamos ela por dois anos, fizemos esse pedido à direção artística da emissora", entrega Amora Mautner, diretora-geral da novela.
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