A descontração é quase inevitável para Otaviano Costa. Mas, apesar da imagem de "brincalhão", ele sabe exatamente o que quer. Por isso, ser alçado à bancada do "Vídeo Show" foi um caminho natural. Para voltar a ser apresentador na televisão, no entanto, Otaviano sabia que precisaria passar por algumas etapas. Primeiro, "resgatou" sua porção ator em novelas como "Caras & Bocas", "Morde & Assopra" e "Salve Jorge". Mas, na metade da trama de Glória Perez, resolveu deixar claro para a Globo seu desejo de voltar a apresentar algum programa. "Sempre fiz novela de peito aberto, me depilei para fazer a Elaine de 'Morde & Assopra', literalmente me entreguei aos personagens. Mas eu tinha na cabeça a clareza das minhas vontades e entendi que aquilo era um processo de amadurecimento meu dentro da emissora", conta. Depois de mostrar seu lado mais histriônico como jurado do "Amor & Sexo", ganhou espaço no "Vídeo Show" e, pouco a pouco, foi crescendo dentro do programa.
Natural de Cuiabá, no Mato Grosso, Otaviano começou a carreira no rádio de forma inusitada. Aos 15 anos, enquanto esperava o ônibus para levá-lo ao treino de vôlei, resolveu entrar na Jovem Pan, que ficava na mesma rua em que morava, depois de ler o anúncio de uma promoção. Lá, disse que queria ser locutor, apesar de, até então, nunca ter pensado nisso. A moça da recepção não lhe deu muita atenção e pediu para não atrapalhar a passagem. Foi então que Otaviano começou a imitar vozes e fazer barulhos com a boca. Por coincidência, Emílio Surita e sua equipe viram a performance e o convidaram para uma gravação. "No outro dia, eu estava contratado. Tenho o maior orgulho de ter começado no rádio. Acho que é ferramenta fundamental para quem quer ser comunicador", acredita ele, que estreou na tevê em 1990, na "Escolinha do Golias", do SBT.

Como está a repercussão do "Vídeo Show" desde que você assumiu a bancada do programa ao lado de Mônica Iozzi?
Incrível. Nas redes sociais, é notável a imensa maioria de gente que está adorando o que nós estamos propondo, o formato, esse conceito, essa brincadeira minha e da Mônica. E é muito bacana também que, quando saio às ruas, tem um outro tipo de público, que não acessa as redes sociais ou acessa de outra maneira. São as pessoas muito simples. O porteiro, o pessoal do consultório, da faxina. Outro dia, fui em um show no HSBC Arena e fui pegar uma água no intervalo. Aí, as meninas da limpeza, o ascensorista, o segurança, a produtora, todos vieram falar do "Vídeo Show" com alegria. Pelo menos, naquilo que está dentro do meu radar, é isso que estou percebendo.

Depois de tantas mudanças recentes no programa, como avalia o atual formato do "Vídeo Show"?
Acho que cada formato teve a sua característica e se propôs a uma coisa. A gente foi vivendo e testando. Temos uma missão árdua que é o tempo todo estar reformulando, revendo, revisitando o "Vídeo Show" depois de tantos anos para poder agradar ao público. Para mim, essa é a percepção que eu tinha. Porque eu não era até então o "front man" da história. Eu não era o apresentador do "Vídeo Show" oficialmente, postado naquela posição. Então, talvez eu não tivesse tanto "feedback" como estou tendo agora. É incrível que agora nessa colocação ao lado da Mônica a minha percepção é a mais positiva possível.

Você e Mônica Iozzi, inclusive, demonstram entrosamento no comando do programa. Houve algum período de preparação para encontrarem esse tom mais solto da apresentação que vocês fazem?
Não. Eu conhecia a Mônica do "CQC". A gente fez um teste em uma quinta-feira e ela entrou no ar na segunda ao vivo comigo. Foi um susto para ela, foi um susto para mim, mas isso em nada é negativo. E o que mais achei engraçado – olha, isso é uma confissão – é que a gente veio fazendo teste com outras pessoas que eram de uma outra paleta de cores, eram de um outro caminho e formato. Quando apareceu a Mônica, eu falei: "Conheço essa menina, ela é danada. É isso mesmo? Vai juntar eu e ela?". Era um diapasão diferente de todos os outros tons que tinham aparecido ali. Na hora que fiz o piloto, eu ria sozinho, tinha sacado que já tinha dado certo. Porque eram duas pessoas que não se conheciam, mas parecia que a gente já tinha uma intimidade gigantesca. Estamos há pouco tempo no ar e já estamos tão íntimos a ponto de poder falar o que quiser um do outro sem ofender.

Como equilibrar o improviso com o tempo de duração do programa, que é ao vivo?
É difícil, mas, ao mesmo tempo, a gente está entendendo cada vez mais o organismo do programa. Sabemos que, quando já chegam dez matérias programadas no roteiro, a improvisação tem de ser menor. Se são oito, dez matérias muito legais, pensamos em um jeito de fazer para não improvisar tanto e tentar colocar tudo no ar.

Acontece de alguma matéria prevista para o dia não entrar em cima da hora?
Sim. Às vezes acontece de uma matéria ser derrubada dependendo das improvisações ou de quando recebemos visitas. Claro que tentamos prevalecer as matérias que precisam estar no ar no dia. Como de uma cena que foi ao ar ontem, do aniversário de alguém ou um vídeo importante. Agora, o que é atemporal com certeza é derrubado em nome do que está valorizado no momento, como a visita de alguém, por exemplo.

Desde que entrou no "Vídeo Show", você foi ganhando cada vez mais espaço. Começou fazendo matérias até ocupar o posto de apresentador oficial. Ir para a bancada e assumir essa posição chegou a ser uma surpresa?
Na verdade, eu até falo que não sou repórter porque não sou jornalista. Eu vim como apresentador, meu registro é como apresentador. Eu fazia matérias, mas não produzia nada, eu apresentava. É diferente do repórter. O repórter faz pauta, pesquisa. Eu não fazia nada disso. Eu apresentava. E eu improvisava muito, sempre fui tentando trazer meu DNA. E também sempre deixei muito claro para a Globo, e não é de agora, que eu queria voltar a ser apresentador. Fora da tevê, eu só sou apresentador em eventos, o que foi me acalmando. E dentro da emissora fui fazendo vários eventos, como os réveillons, "Festival de Verão", um dia apresentei um programa com a Xuxa. E o "Amor & Sexo" surgiu para mostrar essa figura artística histriônica minha. Sempre fui deixando muito claro para a emissora as minhas intenções, desde a metade de "Salve Jorge". Não achei que fosse acontecer no "Vídeo Show", não achei que fosse acontecer tão cedo o trilho de volta, ainda mais em um posto como esse de hoje. Então, fico muito feliz. Não planejei, só deixei claro que eu queria. Acho que tudo culminou para o que eu queria, mas ainda tenho uma estrada longa pela frente. E não vou deixar de ser apresentador nunca mais.

Voltar a fazer teledramaturgia está fora de cogitação para você?
Pontualmente, eu faria. Novela, não. Quando você determina um caminho, fica mais fácil dizer "nãos". Você fica com menos peso na consciência. Então, estou dizendo "não" para as novelas. Não pelo que elas são, mas pelo que eu quero para mim. Eu prefiro. Mas nunca vou deixar de ser ator, não vou deixar de exercer esse lado, mas acho que é tudo mais pontual. Ou em uma peça ou no um stand-up que faço, "O Comunicador", ou em uma participação em uma série. Mas o foco da minha vida hoje é muito claro.

Sem estresse
Otaviano Costa fica muito à vontade ao apresentar um programa ao vivo. Nem de longe ele sente algum tipo de nervosismo ou ansiedade quando está nessa função. "O ao vivo me dá possibilidades de respostas, de situações e me dá condição de ser o mais espontâneo possível, que eu acho que é a minha grande zona de conforto", explica ele, que aproveita para improvisar bastante ao lado de Mônica Iozzi. E, quando algo dá errado, são as brincadeiras entre os apresentadores que disfarçam o deslize. "Como a gente tem essa chacota, acaba que vira uma piada. Tiramos isso de letra", conta
Há cerca de três meses, o "Vídeo Show" foi reformulado e passou a ser exibido em tempo real. O que, de certa forma, organizou melhor a rotina de trabalho de Otaviano. "Quando o programa era gravado, meu dia a dia era mais confuso", assegura. Atualmente, ele recebe o roteiro do programa em casa e chega ao Projac – complexo de estúdios da Globo – entre meio-dia e 13h. Algumas coisas podem mudar em cima da hora, mas nada que altere muito essa logística. "Hoje, temos uma rotina muito mais exata. Ficamos só no estúdio. Antes, eu fazia externas, quadros, cabeças no jardim do Projac. E era uma coisa muito doida porque o tempo fecha e você vai para onde?", questiona, aos risos.

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