O lado filosófico de Josafá Filho, que, sem soar piegas, cita pensadores e livros de filosofia, é um contraste marcante diante da personalidade de Filipinho. Se seu personagem em "Sangue Bom" não mede esforços para atingir o estrelato, a carreira de Josafá vem crescendo de forma gradual. "Sempre escrevi minhas próprias peças e juntava a galera para assistir", relembra. Desde os 17 anos, quando trocou o teatro amador pelo profissional, o trabalho do ator vem tomando certa projeção. Após estrear no remake de "Ti-Ti-Ti", como o doutor Eduardo, caiu nas graças da dupla de autores Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari e logo foi convidado para participar da atual trama das sete.
O bom desenvolvimento de seu personagem na novela, no entanto, não garantiu a Josafá sua permanência até o final do folhetim. Em cenas que estão previstas para ir ao ar na próxima semana, Filipinho se despede de "Sangue Bom". "Depois que se assumir gay, ele sofrerá muito com o preconceito e sairá do país", adianta.
Segundo o ator, a polêmica envolvendo a sexualidade de um personagem em uma trama jovem abre portas para um diálogo maior sobre o assunto. "A novela tem gerado uma reflexão das pessoas, saindo da obviedade e forçando a olhar os dois lados da moeda. Algumas pessoas ainda encaram o fato de ser gay como um defeito", lamenta.
A volta do filho de Rosemere e Perácio, personagens de Malu Mader e Felipe Camargo, segundo ele, está garantida como uma das reviravoltas do final da novela. "Torço para que ele volte seguro de que o preconceito não lhe tira o direito de ter uma vida feliz", torce.

Nome: Josafá Alves de Oliveira Filho.
Nascimento: Em 20 de março de 1985, em São Paulo.

Primeiro trabalho na tevê: Como o doutor Eduardo, em "Ti-Ti-Ti", novela exibida pela Globo em 2010.
Interpretação memorável: A atriz e diretora Georgette Fadel fazendo a Joana, do espetáculo "Gota D'Água".
Momento marcante: "Um momento marcante, mas bem simples, foi apresentar o espetáculo '100 Shakespeare' em uma praça na Espanha, em 2007".
A que gosta de assistir: "Basicamente 'Sangue Bom' e canais de jornalismo".
O que falta na televisão: "Programas mais jovens de entrevista, que discutam essa nova galera da mídia tecnológica".
O que sobra na televisão: "Programas sensacionalistas e jornalismo sanguinário".
Nas horas livres: "Gosto de correr na praia e ficar quieto, na minha, em silêncio".
Ator: Sean Penn.
Atriz: Meryl Streep.

Se não fosse ator, o que seria: "Sinto que poderia ser qualquer coisa, mas acho que faria algo ligado à educação".
Novela preferida: "Tieta", de Aguinaldo Silva, exibida em 1989 pela Globo. "Lembro de assistir à novela com a minha mãe. Gostava dessa jornada da heroína, que sai da sua cidade e volta depois".
Personagem mais difícil de compor: O Filipinho, de "Sangue Bom".
Melhor bordão da televisão: "Não é brinquedo, não!", de Dona Jura, personagem de Solange Couto em "O Clone".
Humorista: Chico Anysio.
Que papel gostaria de representar: Tom, da peça teatral "Zoológico de Vidro", versão brasileira para o texto de Tennessee Williams. "É um cara sonhador que foge para ir ao cinema em meio ao caos que é a sua família".
Com quem gostaria de fazer par romântico: Ellen Page, famosa por protagonizar o filme "Juno".
Filme: "Eu, Você e Todos Nós", de Miranda July.
Livro de cabeceira: "O Homem e Seus Símbolos", de Carl G. Jung.
Diretor: Ingmar Bergman.
Mania: "Entrar sempre em cena com um pedaço do texto no bolso".
Vexame: "Já ri muitas vezes em cena, daquelas gargalhadas incontroláveis e sem motivo".
Um medo: "De ser mal interpretado".
Projeto: "Tenho desejo de levantar a minha banda performática, chamada Devas".

mockup