Brejeira e bem brasileira
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quinta-feira, 09 de abril de 1998
Celina Alonso Az 
ReproduçãoRose Moraes: primeiro CD está sendo tocado em rádios da EuropaCantar muita gente canta mas a pedagoga Rose Moraes, 31, além da bela voz, tem uma garra absurda, comum entre os produtores independentes de discos no Brasil. Ela está apresentando seu primeiro CD, Brejeira, gravado na raça, e que graças a uma rede de amigos que conspiram a favor do seu sucesso, está sendo ouvido em diversas capitais do mundo. O CD com música brasileira de raiz, tem de Luiz Gonzaga a Frejat passando por Zé Ramalho - em novos ritmos- e o resto é de autores ainda desconhecidos pelo público. Segundo Rose, o seu primeiro trabalho é apenas uma amostra do gênero de letras que ela adora cantar.
Rose Moraes nasceu em Barbosa Ferraz, município entre Maringá e Campo Mourão. Depois de formar-se em Pedagogia e de participar de vários festivais pela região, decidiu que queria ser cantora profissional e ninguém mais a segurou. Estudou canto em Maringá, em Campo Mourão, participou de bailes em diversas bandas, apresentou-se em bares até que em 92 foi morar na Suíça. Tinha um amigo que morava lá. Conheceu muitos músicos brasileiros e cantava com eles. Uma noite no bar Latitude Brasil, em Genebra, acabou substituindo uma cantora que adoeceu cantando Aquarela do Brasil, O Bêbado e o Equilibrista e Andança. Os brasileiros que estavam lá aplaudiram de pé e deliraram de saudades de casa, conta.
Rose que cresceu ouvindo a mãe cantar músicas de Angela Maria, e que tem um monte de músicos na família, decretou: Agora é a hora de eu tratar do meu disco. Como uma verba da Lei de Incentivo à Cultura poderia demorar cerca de um ano e meio, assumi tudo. Pediu ajuda ao primo Wesley Ros que trabalha na Sicam - Sindicato dos Compositores de São Paulo. Ele contribuiu também com arranjos, composições, e a produção independente - W Company. Uma outra amiga, Sirley A. Moreira, escreveu uma música especialmente para Rose. É a faixa que dá o título ao CD. Brejeira, é o meu jeito, minha cara, é muito parecida com o que sinto e penso, diz a cantora.
O resultado é um trabalho de qualidade acústica. Sua voz é límpida e o timbre deveria ser invejado por uma dezena de novas cantoras que ainda emitem sons guturais. Rose estudou canto em pelo menos cinco conservatórios paranaenses, entre eles o Luzamor e o de MPB de Curitiba. Integrou o Coral da Universidade Estadual de Maringá. Tem voz educada e agradável. O repertório é mais forte nas letras mas tem bons momentos melódicos. Os arranjos são tão bons quanto os músicos do primeiro time de Curitiba, onde hoje Rose reside.
Tudo o que ganhou nos últimos anos ela investiu na gravação. Para pagar as horas de estúdio (em Curitiba e em São Paulo) fez empréstimo em bancos e com amigos. Mal o CD ficou pronto ela o levou para a Polônia, onde graças a alguns conhecidos já está tocando nas rádios, da mesma forma que está tocando em Lausanne, na Suíça. Em Viena já tem gente ouvindo também pelas rádios por causa do empenho de uma bailarina brasileira que dança samba pela Áustria. Bom para eles que estão conhecendo um trabalho de bom gosto, com repertório mais do que brasileiro, letras absolutamente apaixonadas pelas coisas da gente dos trópicos.
Enquanto corre de uma rádio para outra, Rose Moraes já marcou duas apresentações em Curitiba. A primeira é uma noite de autógrafos no Memorial de Curitiba, no dia 15 de maio, e um show no teatro Paiol de Curitiba no dia 7 de junho no Projeto TerçaBrasileira, da Fundação Cultural de Curitiba. No final do ano sei que vou me apresntar em Minas e em São Paulo. Ainda não sei como mas que vou, vou-avisa Rose Moraes.


