Bregovic e outros ciganos
Wilmar Klein
De Curitiba
Especial para a Folha2
Compositor bósnio, nascido em Sarajevo em 1950, Goran Bregovic foi um ídolo do rock na Iugoslávia comunista, à frente da banda White Button, fundada por ele em 1966. Amigo do cineasta Emir Kusturica, aceitou, no final dos anos 80, o desafio de produzir uma trilha sonora para cinema: a do longa Vida Cigana (Dom Za Vesanje/ Time of the Gipsies, Iugoslávia/Inglaterra, 1989). O resultado foi tão bom que Bregovic não parou mais, compondo as trilhas de outros filmes de Kusturica - Arizona Dream - Um Sonho Americano (EUA/França, 1992), Underground - Mentiras de Guerra (Alemanha/França/Hungria, 1995) - de Pierre Chéreau - A Rainha Margot (La Reine Margot, França/Alemanha/Itália, 1994) - entre outros diretores. Agora é a vez dos brasileiros conferirem de perto o talento deste compositor que, em suas soundtracks, combina música étnica e clássica, peças sacras e rock: Bregovic é uma das atrações confirmadas da oitava edição do Festival Internacional de Artes Cênicas - Fiac - que acontece em São Paulo entre 21 de outubro e 7 de novembro. (Fico me perguntando se alguma gravadora menos obtusa aproveitará a ocasião para lançar uma edição nacional do último CD de Goran, Ederlezi, que traz músicas dos filmes aqui mencionados... )
Aproveitando o gancho, vale mencionar que o Festival Internacional de Artes Cênicas deste ano (como nos anteriores, produzido pela atriz e empresária Ruth Escobar) terá mais música do que artes cênicas propriamente ditas. E o que é mais curioso: música interpretada exclusivamente por grupos e artistas de origem cigana. Além de Goran Bregovic, estarão se apresentando durante o evento, em teatros como o Municipal, o Sesc Pompéia e a recém-inaugurada Sala São Paulo, grupos como o Divana, do Rajastão (norte da Índia) - uma das atrações mais aplaudidas da sétima edição do festival -, Taraf de Haidouks, da Romênia, Kocani Orkestar, da Macedônia, a bailarina espanhola de flamenco Eva Garrido, Kostas Xalkias, da Grécia, Kek Lang, da Hungria, entre outros. Quase um festival de música étnica, mas os ciganos - povo tão musical quanto discriminado - merecem esse destaque.
A volta de Coco the Electronic
... mais Birdstuff, Blazer the Probe Handler e Trace Reading - ou seja, o grupo de surf music espacial do Alabama (EUA) Man or Astro-man?, que, depois de se apresentar no Brasil no ano passado, volta ao nosso país para uma turnê por 12 cidades, com início no próximo dia 24, em Americana (SP). No Paraná, o MOAM? faz shows em outubro: em Curitiba, no dia 6, em Maringá, no dia 8, e em Londrina, no dia 9. No repertório, músicas do mais recente CD, Eeviac, gravado ao vivo em 98, durante apresentação da banda em Belo Horizonte. (Para ser honesto, odeio surf music e cada vez tenho menos paciência para ouvir rock-n-roll, mesmo que eletronicamente maquiado... mas me divirto um bocado com o Man or Astro-man? Se você não conhece, aproveite e experimente.)
Para inglês ver (digo, ouvir)
Todas as sextas-feiras, recebo, por e-mail, uma lista de 12 ou 13 páginas (às vezes mais) com os lançamentos disponíveis na loja da distribuidora Rough Trade, em Londres. Na da semana retrasada eram oferecidos, entre outros, LPs de Marcos Valle (Viola Enluarada), Roberto Menescal (A Nova Bossa Nova) , Joyce (Feminina, Água e Luz e Joyce e Nelson Angelo), Eumir Deodato (Idéias), Anamaria & Maurício (Estamos na Nossa), Carlos Lyra e até do Sambalanço Trio (sem título), do baterista Wilson das Neves (Juventude) e do maestro Erlon Chaves (Sabadabadá). Enquanto isso, no Brasil, quem se interessa em reeditar essa gente, mesmo em CD? (Em tempo: o site da Rough Trade é www.roughtrade.com. E o meu e-mail [email protected])





