Brechó em grande estilo
Montar ou renovar um guarda-roupa não depende, necessariamente, de grandes gastos. Pelo menos se a pessoa tiver boa intuição para garimpar preciosidades nos famosos brechós e bazares de roupas usadas. O estilista Nélio Pinheiro, adepto dos brechós, garante que, independente do lugar onde vá comprar, a pessoa tem que buscar uma roupa com a qual ela se identifique, que lhe desperte desejo e vá fazê-la se sentir bem.
Mario CesarCalça azul larga usada com camisa branca e laranja: um clássico que remete a Jackie OnassisMário CésarSaia básica azul-marinho usada com casaco clássico de linho valorizados pela bolsa da BenettonNélio Pinheiro antecipa que existem três classificações para o perfil do consumidor: o tradicional, o fashion e o de vanguarda. Este último é o que mais se enquadra como consumidor de brechó. Ele não é muito ligado em moda. Usa mais o que gosta, uma roupa com a qual ele se sente bem. Este perfil mistura bem a roupa de brechó com roupas de coleção, define.
Para renovar um guarda-roupa com peças de brechó, Nélio Pinheiro dá algumas dicas para o consumidor. Primeiro, tem que ter um certo feeling para conseguir escolher as peças. Na verdade, é mais uma questão de estilo, observa.
Mario CesarA regata pink básica combina perfeitamente com o blazer preto que custa só R$ 20,00
Mario CesarChoveu? Lance mão da capa de lona, short e camiseta atoalhados, estilo verão brasileiroO estilista adverte que o bom resultado de uma compra no brechó depende de quem vai escolher as roupas. Tem gente que acha lindo no corpo do outro, mas quando vai escolher sua própria peça fica perdido e não acha nada que combine com ele, conta. Existem pessoas que têm mais facilidade em usar e combinar essas roupas.
Aliás, as peças de brechó podem proporcionar ricas composições com outras roupas, novas ou não, do seu guarda-roupa. Elas podem, inclusive, ser usadas no dia-a-dia, mas de preferência com outras peças e acessórios. Nélio Pinheiro observa que existem peças que valem a pena ser compradas em brechós para complementar um modelo. Um exemplo são os casacos e sobretudos, que têm ótimo preço e qualidade muito boa.
Até mesmo modelos mais sofisticados podem ser achados entre roupas usadas. Nélio Pinheiro avisa que é possível encontrar alguns bons vestidos de noite, por exemplo. Tem que ser uma peça com a qual você se identifique. Seja um bordado, uma pedraria.
Os acessórios também são excelentes complementos. Eles sempre dão um toque no conjunto, em todos os aspectos. Podem, inclusive, valorizar a roupa. Mas também podem estragar tudo: isso vai depender de quem usa e como, analisa.
Quanto à qualidade da mercadoria, o consumidor tem mesmo é que procurar. Dá para encontrar muita coisa boa, principalmente na linha de inverno dos importados, avalia.
O estilista observa que pessoas de diferentes classes sociais procuram os brechós por vários motivos: questão financeira, de moda ou de estilo, além da variedade e influências de outras épocas. A moda é cíclica, vai e volta, mas sempre volta diferente, com outro impacto, completa.
Nélio Pinheiro conta que a tendência dos brechós vem do exterior. Em Londres, por exemplo, existe uma infinidade e todos são muito movimentados. Na opinião do estilista, no Brasil ainda existe um preconceito de comprar roupa usada. Mas lá fora a coisa é diferente. A gente pode se vestir na moda gastando bem pouco. Nélio conta que quem gosta muito de comprar em brechós são os teenagers. Eles já têm opinião própria, um gosto diferenciado, e por isso se dão muito bem com este tipo de roupa.
A riqueza dos brechós, segundo Nélio Pinheiro, vai além da simples compra. Para ele, os bazares de roupas usadas são uma fonte de pesquisa. Na minha profissão, eu uso muito os brechós com este objetivo. Posso encontrar várias informações sobre cortes, estamparia etc, conta. Pessoalmente, o estilista usa e abusa da linguagem da mistura. Quando preciso de uma roupa para uma ocasião especial ou uma festa de década, por exemplo, certamente procuro em um brechó. Mas gosto de recorrer a eles principalmente no inverno.
A convite da Folha2, o estilista Nélio Pinheiro visitou o bazar beneficente da Santa Casa de Londrina para garimpar alguns modelos e mostrar que é possível fazer boas produções. Entre as milhares de peças a R$ 1,99, ele selecionou algumas e fez composições para ser usadas em diferentes ocasiões. Esta calça masculina cinza, mais larga, com a camiseta básica branca e a camisa listrada mais modelada é uma proposta bem fashion, diz o estilista, que pessoalmente aprovou o modelo.
Já a combinação de camiseta estampada e short azul atoalhados e capa de lona amarela é uma produção mais divertida e, segundo o estilista, tem cara de verão, do clima brasileiro. A capa de chuva pode ser usada para incrementar e dar estilo à produção, acrescenta.
Uma peça coringa no guarda-roupa, o blazer preto (R$ 20,00) bem cortado fica muito bem com uma regata de malha na cor da moda. Também vale a pena ter no guarda-roupa a saia básica azul-marinho (com esse comprimento da moda), que pode ser usada com uma peça mais clássica, o casaco de linho branco e azul em estampa floral. Outro clássico que nunca sai da moda é a calça azul larga junto com a camisa branca e laranja, garante.Paulo WolfgangNélio Pinheiro veste peças de brechó: criar estilo só depende de bom gosto e paciência para garimparMario CesarCalça corsário da Overloque com camiseta regata pink: peças novas e usadas em combinação acertadaJackeline Seglin





