O movimento hip hop nacional já ostenta uma rica galeria de histórias, personagens e lendas. A trajetória da dançarina e MC paulista Nina Brown, por exemplo, dificilmente se dissocia de um episódio pitoresco ocorrido durante um show de James Brown no Brasil.
Ela estava lá, na beira do palco, quando decidiu driblar os seguranças e subir ao palco para dançar com o ídolo. O rei do funk cantava o clássico da black music ''I Feel Good''. A garota de Diadema, dançou a música inteira e foi aplaudida pela platéia. Daquela noite em diante, deixou Janaína dos Santos para os documentos e adotou o codinome Nina Brown.
Nina, 25 anos, passou a semana em Londrina ministrando uma oficina de dança de rua no 25º Festival de Música. Hoje, às 17 horas, ela acompanha sua turma de alunos durante um espetáculo cênico-musical no Anfiteatro do Zerão, onde mostram o que aprenderam nas aulas de funk, break, poping e locking.
O show contará com a participação de alunos da oficina de Formação de MCs e Criação de Rimas, comandada pela MC gaúcha Lica, outra representante do hip hop no Festival. ''Vim trocar informações e trazer o que tá rolando na área de dança em São Paulo'' diz ela, que veio acompanhada do marido e DJ Dan Dan. Para Nina, a dança de rua passa por uma fase de progressiva evolução.
''Isso está acontecendo por conta da profissionalização, que fez com que se trabalhasse e desenvolvesse cada estilo específico. Isso melhorou o nível geral'' salienta. Ela explica que o convite para vir ao Festival teve algo de inesperado. ''Não é comum que festivais do gênero abram espaço para o hip hop que, por ser uma cultura ''periférica'', ainda sofre preconceito'' diz.
O convite demonstraria, segundo ela, que as portas estão se abrindo: ''Acho que as experiência de transformação na auto-estima das pessoas envolvidas estão trazendo respeito ao movimento''. Todavia, ela não deixa de criticar o atual rap americano, que julga ser uma influência nefasta. ''É a moda hoje. As músicas e os clipes só exploram a sexualidadade da mulher, mostrando-a apenas da cabeça para baixo'' lamenta.
Nina participa de vários projetos como dançarina, MC, rapper e arte-educadora. Atua na Zulu Nation Brasil, uma ONG de Diadema (SP) ligada ao hip hop e dedicada ao resgate da cidadania e Direitos Humanos. ''Temos sedes em várias regiões do País e parcerias com a Unesco e Prefeitura de São Paulo'' conta. Atua também no grupo Produtto Paralelo, que faz shows e reúne vários MCs.
E participa ainda da Cia. Corpos Nômades, cujos espetáculos levam ao palco os quatro elementos do hip hop MC, DJ, break e graffiti. Além disso, desenvolve trabalho-solo cantando rap acompanhada de tambores africanos.

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