Uma combinação curiosa deve atrair a atenção do público no desfile dos blocos no Carnaval de Londrina, sexta-feira, no Autódromo Internacional Ayrton Senna. Uma das alas do bloco da Rede da Cidadania vai levar integrantes do movimento hip hop para dançar break ao som do samba ''Londrina Menina que Brilha'', composto por Reinaldo Barbosa, o MC Rei. Parece confuso? Mas eles prometem que a mistura é boa e, certamente, vai dar em samba.
Quatro monitores do hip hop na Rede da Cidadania iniciaram na semana passada, no Caic da Zona Sul, oficinas com crianças e adolescentes do Jardim União da Vitória. Enquanto o grafiteiro Hugo ensina a garotada a desenhar e pintar símbolos do hip hop nos gorros que serão utilizados no desfile, o b.boy Cezinha mostra a coreografia de break que será levada ao sambódromo. DJ Serginho comanda o som e MC Rei ensaia com os alunos o novo samba.
Magnum Nogueira, de 13 anos, já era frequentador de oficinas de break e, mesmo assim, encontrou dificuldades nas novas aulas. ''A batida do samba é um pouco diferente, mas com força de vontade dá certo. Montar a coreografia está sendo o mais difícil'', diz.
Cezar Oliveira, o b.boy Cezinha, explica que a batida do samba é muito rápida e que a marca do break é diferente. ''Mas com a coreografia vai dar para juntar os dois. Vai ficar bom. Ainda mais que eles (os alunos) estão pegando o jeito fácil''. Aluna da oficina de MC (mestre de cerimônia) há três anos, Jenifer Almeida, 13, está pronta para cantar o samba londrinense no Carnaval. ''É muito legal. Não é porque somos do hip hop que não gostamos de outros estilos. É um pouco complicado, mas a gente se diverte'', comenta.
MC Rei diz que não encontrou dificuldades em criar o samba. ''Estamos falando da cidade, do nosso dia-a-dia... vamos resgatar essa história no sambódromo'', salienta o MC, que compôs a música no violão em uma tarde e conseguiu emplacar seu samba no lugar de uma canção de Caetano Veloso, que havia sido escolhida anteriormente pelo bloco. ''Por que não falar de Londrina com uma música nossa?'', diz.
Enquanto parte dos alunos ensaia passos e a letra da música, outros usam a criatividade para grafitar. Melquezedelk da Silva, 15, aprendeu a fazer grafite em dois anos de oficinas na Rede da Cidadania. Agora, ajuda o monitor Hugo da Rocha a preparar os gorros para o desfile de Carnaval. ''Essa mistura é boa e serve para ver que não tem preconceito'', comenta.
Já Sérgio Guise, o DJ Serginho, está ensinando aos alunos as manhas das pick-ups e os tempos de uma música. Apesar de não poderem fazer a discotecagem no sambódromo, eles vão sair na pista como DJs, com fones de ouvido e uma réplica de toca-discos.
O Bloco da Rede da Cidadania trará ainda outras alas: capoeira expressiva, iniciação à dança, danças de salão, circo, teatro e musicalização percussiva. Mais quatro artistas da Rede estão comandando oficinas de fantasias, alegorias e ambientação ao autódromo. No total, 33 oficinas da Rede da Cidadania preparam o desfile no Carnaval 2004.
Também estarão desfilando na sexta-feira os blocos ''Afoxé Ilê Ogum''; Ong Adé-Fidan/Casa de Vivência Saara Santana; ''Recordar é Viver'' e Clube do Carro Antigo; Grupo Samba, Suor e Cerveja; Bloco dos Motociclistas; Bloco de Prevenção da Dengue e Bloco da Associação das Mulheres Artesãs de Londrina.

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