Brasília decide ampliar número de concorrentes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de outubro de 1999
por Luiz Zanin Oricchio 
São Paulo, 28 (AE) - Foi divulgada a lista de concorrentes do 32º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que se realiza de 23 a 30 de novembro. São 12 longas-metragens, 12 curtas em 35 milímetros e 34 em 16 milímetros. A novidade deste ano é a ampliação do número de longas. Tradicionalmente, Brasília tem feito uma seleção mais rigorosa e mantido o número de oito longas concorrentes. Nesta edição, resolveu abrir seu coração e acolher um número maior.
Segundo divulgou a Assessoria de Imprensa do festival, 19 longas se inscreveram. Foram chamados "A Terceira Morte" de Joaquim Bolívar, de Flávio Cândido, Cruz e Sousa, o "Poeta do Desterro", de Sylvio Back, "Gêmeas", de Andrucha Waddington, Hans Staden, de Luiz Alberto Pereira, "Milagre em Juazeiro", de Wolney Oliveira, "No Coração dos Deuses", de Geraldo Moraes
"Por trás do Pano", de Luiz Villaça, "Santo Forte", de Eduardo Coutinho, "São Jerônimo", de Julio Bressane, "Senta a Pua!", de Eric de Castro, "O Tronco", de João Batista de Andrade, e "Um Certo Dorival Caymmi", de Aluísio Didier.
De inéditos, mesmo, há "A Terceira Morte de Joaquim Bolívar", "Cruz e Sousa", "Gêmeas", "Hans Staden" e "Senta a Pua!". Os demais, ou já passaram em outros festivais, ou mesmo estrearam comercialmente em outros Estados, menos no Distrito Federal, o que lhes garante direito de participar.
Segundo o regulamento, os longas precisam ser inéditos no DF. É o que diz a letra da lei. O bom senso, no entanto, manda que festivais busquem o ineditismo e, se possível, a originalidade. Entre outros exemplos: o que faz na mostra competitiva um filme com "Por trás do Pano", que já mostrou até onde podia ir em Gramado e depois no circuito comercial de várias cidades? O que a presença deste filme acrescenta ao nível de um festival criado por Paulo Emílio Sales Gomes e que se tem pautado pela resistência, sobretudo em tempos difíceis. Resolveu afrouxar logo agora, com a relativa abundância de longas disponíveis? E o que dizer de "Coração dos Deuses", sem dúvida um bom filme de aventuras, destinado ao público adolescente, mas sem nenhum perfil de festival? Esses eventos, e sobretudo o de Brasília, com tanta tradição de luta, deveriam privilegiar o inovador, o experimental, o ousado, deixando que obras mais comerciais se virassem por si sós no mercado. Espera-se que, pelo menos, o júri se comporte com inteligência, e concentre suas atenções no que realmente vale a pena.
A seleção de curtas em 35 milímetros apontou os seguintes títulos: "Três Minutos", de Ana Luiza Azevedo, "Cão Guia", de Gustavo Acioli, "Copacabana", de Flávio Frederico, "De Janela pro Cinema", de Quiá Rodrigues, "Deus É Pai", de Allan Sieber, "O Oitavo Selo", de Tomás Enrique Creus, "Passadouro", de Torquato Joel, "Rota de Colisão", de Roberval Duarte, "Sob a Sombra dos Anjos", de Rogério Terra Júnior, "Tepê", de Eduardo Belmonte, "Texas Hotel", de Cláudio Assis, e "The Book Is on the Table", de Betse de Paula.
Em 16 milímetros, competem os seguintes filmes: "1+1", de João Landi Guimarães, "25 de Dezembro", de João Landi Guimarães, "Ardil", de João Carlos Lemos e Róger Carlomagno, "As Alegres Comadres de São José do Mato Dentro", de Graziela Pinheiro, "Até", de Gilson Vargas, Bela e Galhofeira, de Paulo Halm, "Bem-Vindos ao Paraíso", de Marcos Figueiredo, "Babula, o Cara Vermelha", de Luiz Eduardo Jorge, "Diversas Lise", de Maya Pinsky, "Família do Barulho", de Bernardo Spinelli, "Final Feliz", de Braz Eddson Palladino, Cario Cesaro e César Santana, "Fome", de João Filho, "Gênesis 22", de Jeferson De
"História de Amor em 16 Quadros por Segundo", de Fernando Spencer e Amin Stepple, "Mantus", de Ana Paula Martins Gouveira, "Mercy", de Alexandre Klemperer, "O Catedrático do Samba", de Alessandro Gamo e Noel Carvalho, "O Livro", de Alexes Eiterer, "O Negócio", de Dieto Otero, Roberto Tietzman, "Aletéia, Selonk, O Pivete de Toca", de Carlos Firmino, "O Rio Ribeira de Iguape", de Mario Kuperman, "O Senhor Araújo Lima Vai à Guerra", de Régis Aprobatto, "O Verme das Horas", de Jung J. Lee, "Presságio", de Marcelo Magano, "Retratos no Parque", de Evaldo Mocarzel, "Retratos", de Manoel Rangel, "Tá na Mão", de Fábio Faria Lima, "Tipos Ousados", coletivo da Universidade de São Paulo, "Tormentos", de Andréa Seligman, "Três Tristes Tigres", de Fernanda Tanaka, "Um Filme de Marcos Medeiros", de Ricardo Elias, "Um Sonho de Ícaro", de Dirceu Lustosa, "Uma Nação de Gente", de Margarita Hernández e Tibico Brasil, e "Viagem à Terra do Guaraná", de Antonio Carlos Nogueira. A amostragem dos curtas, tanto em 35 quanto em 16 milímetros, parece boa, em princípio, e bem distribuída do ponto de vista geográfico. Não será difícil que a novidade e a radicalidade do festival se encontre neles e não nos longas. Já aconteceu antes.


