Brasileiros voltam a passear nos EUA
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terça-feira, 19 de outubro de 2004
Daniel Hessel Teich<br> Agência Estado 
São Paulo - Os turistas brasileiros que haviam riscado os Estados Unidos do mapa nos últimos três anos já começam a voltar a passear na terra do Mickey Mouse. Essa é a constatação da Travel Industry Association (TIA), organização que reúne as empresas da indústria de turismo americanas. Apenas no primeiro semestre, a entidade registrou um aumento de 40% no volume de brasileiros que foram para os Estados Unidos.
Esse volume de turistas supera todas as previsões. No início do ano, acreditava-se que o aumento no volume de viajantes seria de, no máximo, 8%. Mesmo porque restrições como as regras duras para se obter o visto de entrada e o rigoroso controle da imigração americana ainda continuam em pleno vigor. ''É um resultado surpreendente e muitas empresas e escritórios turísticos americanos estão revendo seus planos de investimento para o ano que vem'', diz Luiz Moura, diretor da TIA para América Latina.
Desde os atentados terroristas de setembro de 2001, as empresas americanas de turismo suspenderam ou reduziram drasticamente seus investimentos em marketing, divulgação e publicidade no Brasil. Este mês, 30 empresas americanas participarão da Exposição de Turismo da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav 2004), que começa hoje no Rio de Janeiro. Em 2001, último ano em que os americanos participaram do evento, foram apenas 11. O tema do pavilhão americano na Abav será a cidade de Las Vegas, cidade que quer aumentar a presença de brasileiros em seus cassinos, teatros e hotéis extravagantes.
Tamanho interesse se justifica. O Brasil, junto com Canadá, Japão, Inglaterra e Alemanha, é considerado um mercado estratégico para o turismo nos Estados Unidos. No ano passado, os turistas brasileiros foram responsáveis por uma injeção de US$ 1,5 bilhão no país. Nos anos de real forte, esse volume chegou a R$ US$ 4,3 bilhões. Há quatro anos, cada brasileiro gastava US$ 180 por dia. Hoje esse valor caiu para US$ 104, mas ainda assim é mais do que os gastos dos europeus.
Apesar do entusiasmo dos americanos, ainda há problemas que emperram as viagens para os Estados Unidos. O mais grave é a exigência de entrevistas para a emissão de vistos. Como só existem representações diplomáticas americanas em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Brasília, os turistas do resto do País precisam ir até essas cidades para obter o documento. ''Várias agências que ficam fora do eixo Rio-São Paulo simplesmente abandonaram as vendas para os Estados Unidos e não devem retomá-las tão cedo'', diz Tasso Gadzanis, da Abav. Pelos dados da TIA, os números espetaculares de 2000, quando 780 mil brasileiros foram aos Estados Unidos, só devem se repetir em 2007.


