Montego Bay - Qualquer brasileiro terá trabalho para se desvencilhar dos vendedores em um mercado jamaicano. Não só porque eles são insistentes ao empurrar suas mercadorias, mas por causa da imensa curiosidade que têm sobre o Brasil. ''Sou fã da seleção brasileira, o maior time de futebol do mundo'', diz um deles. Depois de tal elogio, fica difícil não pôr a mão no bolso. Mas nunca sem pechinchar! Assim como em muitos outros países, os vendedores costumam chutar o preço duas vezes acima do que vale o produto. ''No futebol, eu sou Brasil, mas sou jamaicano nos negócios'', justifica o artesão Steve Beckford, de 39 anos.
Ele trabalha há sete anos no Mercado de Artesanato de Montego Bay, na Harbour Street, s/nº. Dá vida a pedaços inertes de madeira, que tomam forma de bustos de Bob Marley, elefantes e girafas. ''Esses animais que jamais habitaram nossa ilha são cultuados pelo povo por serem africanos.''
Um pouco mais adiante fica o estande de Marilyn Malcolm, de 45 anos. ''É um negócio de família, herdei da minha mãe, que herdou da minha avó.'' Marilyn trabalha mais com tecidos. Vende peças de praia, como cangas e vestidinhos de fazer inveja às melhores lojas de Maresias e Ipanema. Nada na loja dela, a princípio, custa menos de US$ 10. Por sinal, os vendedores aceitam tanto os dólares americanos como a moeda local. ''Mas faço um desconto para você, que é brasileiro.''
O mercado tem 254 lojas e deveria funcionar todos os dias, mas, na prática, cada vendedor sabe quando deve abrir e fechar seu ponto. ''Funciona assim mesmo. Por isso, é melhor comprar o que você gostou agora, para garantir'', diz Marcia Johnson. ''Não arrisque. Mais tarde posso estar fechada.'' (F.V./AE)

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