Brasileiros retomam turismo para Argentina
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terça-feira, 21 de outubro de 2003
Maria Aparecida Damasco<br> Agência Estado 
San Carlos de Bariloche - Os bons tempos estão de volta a Bariloche. Nas ruas da cidade da Patagônia, que parece estar acordando de um longo período de hibernação, sotaques de brasileiros de todos os cantos se misturam ao espanhol. São cerca de 70 a 80 mil turistas, na temporada de inverno, que se juntam aos 110 mil habitantes da cidade. A grande maioria com a mesma intenção: ver neve pela primeira vez ou conhecer os prazeres do esqui.
As oscilações do dólar, no Brasil e na Argentina, têm muito a ver com esse renascimento de Bariloche. De um lado, o dólar mais caro no Brasil está afastando os turistas interessados na prática do esqui das estações de inverno da Europa e dos Estados Unidos. De outro, o fim da paridade entre o peso e o dólar, no ano passado, que derrubou as cotações da moeda local, tornou a Argentina de novo ''boa e barata'' para os brasileiros. Gasta-se pouco para comer com fartura e qualidade nos restaurantes locais e ainda sobra uma verba extra para algumas pechinchas em compras, principalmente artigos de lã, couro e chocolates.
''Desde a queda do peso, vem crescendo muito o número de turistas brasileiros em Bariloche'', diz o guia Gustavo Maroni, que se divide durante o ano entre Bariloche, Balneário Camboriú e Orlando. ''E esse movimento está resultando na construção de hotéis e até na compra de novos barcos para os circuitos de Porto Blest e Ilha Vitória.''
San Carlos de Bariloche foi fundada oficialmente em 3 de março de 1902, às margens do Lago Nahuel Huapi e pertence à província de Rio Negro. Bariloche é uma modificação de Vuriloche que, na língua dos aborígines que habitaram a região, quer dizer ''povo que vive atrás das montanhas''. Nahuel Huapi, em araucano, significa ilha do tigre. É a cidade mais importante do Parque Nacional Nahuel Huapi, que se caracteriza por uma abundância de montanhas, lagos e rios, alimentados pela água das chuvas constantes e das neves derretidas.
O centro urbano teve origem com a chegada de Carlos Wiederhold, filho de alemães procedente do Chile, que ali instalou um comércio de lã e outras mercadorias. No local, a maior atração turística hoje é o Centro Cívico, um conjunto arquitetônico construído em pedra e madeira, ao redor de uma ampla praça, que abriga, entre outras coisas, o Museu da Patagônia, a Torre-Relógio da Prefeitura, biblioteca e teatro. De um arco da praça, sai a Rua Mitre, o coração do comércio. Nas proximidades também estão situadas a catedral, em estilo neogótico, e outros conjuntos de moradias típicas da região.
Se, durante a temporada de inverno, tudo em Bariloche gira em torno da neve, o ponto alto de qualquer roteiro é o Cerro Catedral. É verdade que há alternativas para diversão na neve, como o parque de Pedras Brancas. E também para o aprendizado de esqui, como o Cerro Bajo, vizinho do Lago Nahuel Huapi, que reúne 16 pistas para a prática do esporte.
Mas, sem sombra de dúvida, o complexo turístico do Cerro Catedral é o maior e mais bem equipado para qualquer um dos objetivos. Dez entre dez turistas apontam o Cerro Catedral como o passeio preferido em Bariloche. Localizado a 15 quilômetros do centro de Bariloche, tem condições de receber milhares de esportistas e visitantes em geral. Conta com mais de 50 pistas, distribuídas em 67 quilômetros e com graus diferentes de inclinação, que permitem a prática de esqui por principiantes e também por esportistas mais experientes.
Os diversos meios de elevação, que incluem teleférico tipo bondinho, cadeiras individuais e em grupo, conduzem a campos de treinamento, refúgios, restaurantes e lanchonetes. Na base, está instalado um razoável centro comercial, com lojas, restaurantes e hotéis, para quem quer fazer uma pausa no esqui ou simplesmente visitar o local, sem qualquer compromisso com o esporte. Especialmente para as crianças, há ainda a opção de passeios em trenós e motos para neve.
Cinco escolas de esqui e snowboard funcionam dentro do complexo do Cerro Catedral. Só uma delas, batizada também de Catedral, mantém uma equipe de cem instrutores. Federico Endler, um jovem uruguaio criado em Buenos Aires que se rendeu às emoções do esqui aos 6 anos, é um dos integrantes desse time. Trabalhando em Bariloche e numa estação de inverno na vizinhança de Genebra, na Suíça, Endler é testemunha da nova invasão de brasileiros na cidade argentina.


