Kiko Goifman e Jurandir Muller são os únicos brasileiros que participam de competição, este ano, no Festival Internacional de Cinema de Locarno. Juntos, Kiko e Jurandir fizeram ''Morte Densa'', média-metragem de 55 minutos, filmado na cidade de São Paulo. Kiko Goifman é conhecido de Locarno, onde, no ano passado, levou o filme 33.
''Morte Densa'' participa da competição vídeo, que concede um prêmio equivalente a 20 mil dólares. Concorre com outros 18 vídeos, entre eles ''Backstage'', sobre o grupo teatral catalão Fura del Baus. Outro brasileiro em Locanro é Carlos Adriano, cujos média-metragens, seis no total, merecem uma retrospectiva, na segunda-feira, numa sala especial. Adriano é considerado um dos mais originais do gênero no Brasil.
Na competição de longas-metragens não há filme brasileiro. Apenas a Argentina, premiada com um Leopardo de Prata no ano passado, e a Bolívia representam a América Latina. ''Guantes Magicos'' é um filme do argentino Martin Rejtman e ''Dependência Sexual'' é do boliviano Rodrigo Bellott, co-produzido com os Estados Unidos. Existem 16 filmes na competição de longa- metragem, a maioria deles originários da França, mas há também um filme do Paquistão, tratando do começo do fundamentalismo religioso, Khamosh Pani.
Fiel ao seu objetivo de ser um festival aberto aos cineastas independentes de todo o mundo, Locarno tem também um filme da Índia, ''Chokker Bali'', e, como todos os anos, um filme iraniano ''Pequenos Flocos de Neve'', de Ali-Reza Amini.
O destaque do Festival, com um prêmio pela obra realizada, é para o inglês Ken Loach, o cineasta de esquerda, cujos filmes sobre temas sociais têm recebido prêmios em diferentes festivais. Locarno exibirá o filme ''Raining Stones'', feito em 93, na conhecida Piazza Grande, no telão de 270 metros quadrados e com cadeiras para 9 mil expectadores. O atual verão europeu e suas noites quentes valorizam as projeções noturnas de Locarno, no telão da Piazza Grande. (R.M.)

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