Brasileiros bons de nota
Eles estão apaixonados. E são vários os objetos de amor: o curso a escola, o convívio com os amigos, a oportunidade de conhecer de perto as diferentes culturas e as principais redes hoteleiras do planeta. Esses são os estudantes brasileiros que têm fama na Les Roches de bons alunos, gentis e hospitaleiros. Também, de organizar as melhores festas.
''O curso é tudo para mim'', definiu Andréa Natal, de 24 anos, aluna do 3º ano. Ela chegou a cursar até o 3º ano de Direito em sua cidade, São José do Rio Preto, mas desistiu porque não gostava da carreira. ''Já posso ter certeza de que era exatamente o que queria'', diz o caçula da trupe, o paulistano André Montagner, de 18, que iniciou as aulas em julho.
Os brasileiros são orgulhosos das boas notas em relação aos estudantes de outras nacionalidades. Segundo eles, o curso não é difícil mas exige dedicação e muito estudo. O diretor de estudantes da Les Roches, Ron Carpenter, afirma que o grupo tem facilidade de adaptação e boas notas. ''Eles também são animados e gentis.''
Filhos de profissionais liberais e pequenos empresários na maioria, os brasileiros são unânimes em dizer que junto com as famílias consideram o curso um grande investimento.
Uma das estratégias que Viviane Conte, de 20 anos, usou para convencer os pais a deixá-la estudar na Suíça foi fazer as contas de quanto custaria um curso de Medicina em uma escola particular longe da cidade onde morava. ''No começo meu pai não acreditou mas depois fez as contas e chegou à conclusão de que os gastos eram equivalentes'', contou a jovem que está no 2º ano.
''Ao contrário do que se imagina, o perfil dos brasileiros não é de milionários. Eles são de famílias que trabalham duro para manter o curso e que até abrem mão de bens para que os filhos possam ter uma ótima educação'', disse Dorival Pinotti, coordenador da escola na América do Sul.
Para os estudantes, o primeiro estágio é o momento mais delicado de todo o curso. ''É o divisor de águas quando você se vê sozinho em um lugar estranho e tem de ser eficiente'', afirmou o estudante Daniel Quintas Tresinari Bernardes. Seu primeiro treinamento foi em uma estação de esqui na alta temporada. ''Emagreci 30 quilos e trabalhei muito. Foi difícil mas saí da experiência fortalecido''.
Já a carioca Erika Campos, de 21 anos, do segundo ano, estagiou em um hotel na Ilha da Madeira, em Portugal. Ela recebia cerca de E 200 por mês. ''O lugar era maravilhoso. Fui bem tratada e aprendi muito.''





