Brasileiro redescobre o caminho da Argentina
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terça-feira, 01 de julho de 2003
Agência Estado 
Buenos Aires Aos poucos, os brasileiros retomam o turismo para a Argentina. Pouco mais de um ano de uma das piores crises da história do país, há um ar de normalidade em Buenos Aires e os protestos da população contra a miséria são mais escassos. Os turistas brasileiros redescobrem o país vizinho embalados especialmente pela facilidade do câmbio com o peso, que está quase em pé de igualdade com o real. Em 2002, houve um aumento de 14,5% no número de chegadas de brasileiros ao território argentino.
Enquanto em 2001 a imigração argentina registrou a entrada de 333.012 brasileiros, em 2002 os argentinos receberam 381.186 turistas do Brasil, de acordo com a página da Secretaria de Turismo da Argentina na internet. A variação positiva é sentida aos poucos. O primeiro trimestre de 2002 foi o menos favorável para os visitantes brasileiros e anfitriões. Houve uma queda de 2,9% sobre o mesmo período de 2001. Vieram para território argentino 80.798 brasileiros em 2002. Em 2001, foram 83.194.
Essa baixa foi reflexo direto da crise no turismo mundial após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2002, nos Estados Unidos. Já as comparações dos outros trimestres mostra um lento crescimento. O segundo trimestre de 2002 teve 10,3% mais turistas que o de 2001. No terceiro trimestre, foram 16,20% a mais e no último, 35,4%, sempre sobre o mesmo período do ano anterior.
Entre 1º e 21 de janeiro de 2003, houve um incremento de 30% na chegada de turistas estrangeiros pelo Aeroporto Internacional de Ezeiza, na Grande Buenos Aires, comparando-se com o mesmo período de 2002. Foram 73.043 estrangeiros nos primeiros 21 dias de 2003 frente aos 56.179 da mesma época do ano passado, segundo informações da Direção de Migração.
De acordo com o gerente-comercial da TAM Viagens na Argentina, Diógenes Toloni, a partir de julho de 2002 o movimento turístico de brasileiros para o país voltou a se normalizar. Hoje, a TAM embarca cerca de 10 mil passageiros por mês para território argentino incluindo a companhia aérea e a operadora de turismo contra 3.800 em abril do ano passado, mês que marca o aquecimento do fluxo de turistas brasileiros para o país vizinho.
''Buenos Aires é o destino mais procurado da TAM no exterior. Em 2001, não houve férias de verão. Lentamente, o brasileiro está viajando outra vez para a Argentina'', afirma Toloni. Para ele, o câmbio favorável aliado a um ''marketing propulsor'' da empresa ajudaram nesta retomada. A expectactativa é de um aumento de 120% no movimento para a Argentina este ano. Agora, o desafio da companhia é trazer de volta os argentinos para o Brasil. Para isso, abriu uma filial da TAM Viagens wm Buenos Aires.
O Marriot Plaza Hotel, um cinco-estrelas de Buenos Aires, também começa a identificar a volta dos turistas. Mas agora, com o latino-americano, ajudando na lotação do hotel. Segundo a assistente de Marketing do estabelecimento, Cecília Hovsepian, há um ano, 80% dos hóspedes eram norte-americanos. Hoje, entre 70% e 80% são latinos, que vêm atraídos pela facilidade do câmbio. ''Turistas colombianos, bolivianos e panamenhos, que não eram habituais, começaram a frequentar o hotel'', afirma a concierge Monica Rodriguez. Os brasileiros ainda são poucos, diz ela, mas começaram a retornar.
A CVC também aproveita a nova onda. Enquanto em 2001 levava aproximadamente 70 brasileiros para a Argentina por semana, hoje cerca de 250 pacotes semanais são vendidos. Para o gerente-comercial do Sul, Mercosul e Taiti da empresa, Luís Soto, com a equiparação do peso com o real, o poder de compra do brasileiro na Argentina melhorou. ''Antes, gastar cem dólares era um sufoco. Agora, pode-se comprar pensando que cada peso vale aproximadamente um real.''
Já os argentinos decidiram abandonar as viagens aos Estados Unidos, Caribe, Brasil e Europa e fazer turismo doméstico, que sai mais barato, ajudando a incrementar a economia interna.


