Brasileiro quer conquistar a copa da gastronomia
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quinta-feira, 04 de janeiro de 2001
Sílvia Herrera Agência Estado 
O chef Adilson Batista, 25 anos, está treinando arduamente para representar o Brasil no Concours Mondial de la Cuisine Bocuse DOr 2001, copa do mundo da gastronomia, que acontecerá nos dias 23 e 24 de janeiro em Lyon, na França, onde vão disputar 22 países. São 300 horas de treinos durante os finais de semana e já me avisaram que não terei folga no Natal e no réveillon, diz Batista.
Rodeado por um time de elite da Associação da Alta Gastronomia (Abaga), formado pelos renomados chefs Laurent Suaudeau (restaurante Laurent), Erick Jacquin (Café Antique), Salvatore Loi (Fasano), Sauro Scarabotta (Fricó di Frango), David Jobert (Intercontinental), Frederico Frank (Le Tan Tan), David Eleutério (Nestlé) e Jorge Valsassina (presidente da Abaga); Batista prepara exaustivas vezes as receitas brasileiras para o concurso, uma de robalo e outra de cordeiro inteiro, temas do concurso.
As receitas foram elaboradas por eles, têm a opinião e a experiência de todos, e o sabor e a consistência tem de ser sempre igual, todas às vezes que forem preparadas, explica. Em meio às panelas, os chefs fazem muita pressão psicológica, nunca estão satisfeitos com o resultado. Fazemos isso para que no dia da prova Adilson não se estresse com a pressão dos jurados. Ele tem de ficar nervoso agora para ficar tranquilo no dia, conta chef David Eleotério.
E a maratona de treinos tem sido árdua para Adilson. De segunda a sexta-feira trabalho no Rio de Janeiro, preparando os almoços e jantares do Carême Bistrô. Aos sábados, acordo às 5 horas, pego a ponte aérea e vou para São Paulo, para treinar na Cozinha Experimental Nestlé. O treinamento começa às 8h30 e vai até às 18h30; aos domingos é das 7 às 17 horas, depois pego o avião e volto para casa. Mas ele não reclama, sabe que terá apenas cinco horas para preparar estas receitas no dia da prova, e que nada poderá sair errado.
A receita brasileira é segredo de estado. Este ano optamos por receitas mais tradicionais para conseguirmos uma colocação melhor, diz Eleotério. Na última copa, em 1999, o Brasil investiu em receitas bem ousadas, mas ficou apenas em 12º (Frederico Frank); e a melhor classificação de um brasileiro até hoje é uma 10º, obtida por Antônio Naim dos Santos em 1997. No passado, os primeiros lugares ficaram com a Noruega, França e Bélgica, respectivamente.
Responsável pelo lobby da equipe brasileira, o presidente da Abaga explica que os franceses são muito relutantes a dar pontos para chefs sul-americanos. Os pratos apresentados por Frank no último concurso estavam fantásticos, era para ele ter ficado em terceiro tranquilamente, mas o júri é condicionado para votar na tradição e na cozinha européia clássica; e nossa receita era moderna, lamenta Valsassina.


