Brasileiro que levou modernismo ao Paraguai expõe em SP
São Paulo, 15 (AE) - O modernismo chegou ao Paraguai pelas mãos de um brasileiro, João Rossi, que está sendo homenageado com uma exposição que será inaugurada amanhã (16), no Memorial da América Latina, em São Paulo. Não se trata de uma retrospectiva, mas de uma mostra basicamente de obras recentes, que revelam que o artista de 75 anos não perdeu o vigor criativo que o levou a ser um ator indispensável para a modernização, mesmo que tardia, da arte paraguaia.
Rossi conta que quando chegou a Assunção, em 1950, para assumir a secretaria da Associação Cristã de Moços, ficou chocado com a pobreza econômica e cultural que encontrou. "O academicismo, aliado à ditadura, era algo enervante", lembra. Essa situação deve ter sido ainda mais chocante para o jovem dinâmico de 20 e poucos anos que vinha diretamente do Uruguai, onde frequentou o ateliê de Torres García, dirigiu a maior biblioteca de arte da América Latina e devorou a maioria dos livros que passaram por suas mãos.
Rapidamente ele abandonou a idéia de dar aulas de ginástica (outra de suas especialidades) e passou a dar aulas sobre questões contemporâneas como o cubismo e o expressionismo, tornando-se um dos idealizadores da Semana de Arte Nueva, realizada em 1952, com importantes artistas locais como Josefina Plá. Esse tema será discutido na quinta-feira, às 19 horas, durante o 1.º Encontro de Artes Plásticas Latino-Americanas, com a participação do crítico de arte Ticio Escobar e da artista (e ex-aluna de Rossi), Olga Blinder.
Rossi costuma dizer que não aprendeu nada no campo das artes, que já aprendeu sabendo. Apesar dessa irônica fórmula encontrada para afirmar seu autodidatismo, o Paraguai marcou profundamente a sua produção. "A coisa mais importante que eu trouxe do Paraguai é o amor pela cerâmica", diz o artista, que possui um extenso currículo, que inclui participações em Bienais e diversas exposições internacionais, além de uma intensa atividade acadêmica.
Como ele pinta, desenha e é um exímio gravurista, se pode pensar que esse amor pela cerâmica é algo com poucos reflexos na sua produção plástica. Mas as telas que Rossi expõe agora, como a Terracota em São Paulo, revelam como o material constitui a base vital de seu trabalho, fornecendo até mesmo a base para a confecção de tintas e pigmentos usados em suas encantadoras paisagens urbanas.
A cultura guarani é outra influência importante na obra de Rossi, que se casou com uma índia paraguaia, que está representada na mostra pelas gravuras ameríndias e por um belo retrato de sua mulher da década de 50. João Rossi e a Arte Moderna no Paraguai. De terça a domingo, das 9 às 18 horas. Memorial da América Latina. Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664. Barra Funda, tel. 3823-9725. Até 18/7.





