Para começo de conversa, ele não é compositor de uma música só. E mais, não é um autor caipira, mas de Música Popular Brasileira. É um profundo conhecedor de samba, fica fascinado com as influências do seu filho com o rock progressivo e prefere falar ''música raiz'' (sem a preposição ''de''). Responsável por grandes sucessos ao longo de seus quase 40 anos de carreira, Renato Teixeira faz show amanhã e domingo em Londrina através do Circuito Cultural Banco do Brasil, um evento itinerante que busca levar a várias cidades atrações de música e teatro a preços populares ou gratuitos.
Além das novidades - o artista gravou em agosto seu primeiro DVD e lançou um disco em parceira com Rolando Boldrin -, Renato Teixeira vai apresentar parte de seu repertório que frequentemente soa em uníssono nas platéias de seus show. Entre as músicas que percorrem décadas, ''Amanheceu, Peguei a Viola'', ''Tocando em Frente'', ''No Rancho Fundo'', ''Recado'', poderão ser conferidas nessa apresentação acústica que conta com parceria de seus filhos, João e Chico Teixeira. E quem sabe, os fãs poderão se deliciar com os ''causos'' e comentários do compositor entre uma faixa e outra. Teixeira revela, por exemplo, que a música ''Romaria'' - da qual não faz idéia de quantas vezes já foi regravada - não é uma música caipira, mas uma obra com técnicas de poesia concreta. ''Eu jamais poderia imaginar na minha vida que ela faria esse sucesso e se consagraria. Consagrar uma música no Brasil hoje é uma das coisas mais difíceis de acontecer'', ressalta. Veja os principais trechos da entrevista que o cantor e compositor concedeu a Folha2.

O show ''Conselhos'' vai apresentar músicas novas também?
Sim, umas quatro músicas novas. Vai ser um show de retrospectiva, que é um show do autor, que não é como o cantor que tem acesso ao repertório todo. O compositor tem que cantar suas músicas, músicas que me influenciaram, as novas que eu estou fazendo que vai sair no DVD agora...

Que foi gravado em agosto desse ano com participações ilustres. Já tem data para lançamento?
É verdade, com a participação do Pena Branca, Chitãozinho e Xororó, Joana. Ela gravou um dos meus maiores sucessos, ''Recado'', que por não ser uma música do estilo da cultura caipira que eu faço - poucos sabem que é minha - eu a convidei para cantar, além do Leon Gieco, um compositor argentino - talvez um dos mais importantes atualmente da Argentina, que é meu amigo. Essa semana é que vamos definir a data de lançamento. Estamos estudando a conveniência de lançar o DVD agora no fim do ano ou começo do outro. Ainda não está definido.

A que você atribui uma carreira tão ligada às raízes sem haver um deslumbramento para o lado pop, sem seguir as tendências mercadológicas da música?
Eu sou da opinião que quando a gente fala ''música raiz'', na verdade estamos falando do folclore. Acho que esse conceito que se aplica à música raiz é meio perigoso, pois acaba prejudicando certos artistas. A música raiz tinha que estar mesmo é no Museu da Imagem e do Som e exercer a função principal que ela deve ter, que é influenciar os autores novos que desejam cantar a sua terra. Essa ficha caiu desde que eu comecei com isso, nos anos 80, que era preciso se deixar influenciar pela música da cultura caipira, que não é música caipira, não é música raiz, mas a cultura caipira com todos os seus signos, personagens, que vai de Tarsila do Amara, passa por Monteiro Lobato, Mazaropi, por Antônio Cândido e chega em Guimarães Rosa. Não é uma cultura banal, mas a cultura desse povo nosso, dessa região Centro-Oeste, que pega Mato Grosso, Minas, Paraná, São Paulo, enfim, uma música que representa essa região. É aquela referência do passado, músicas que vieram do povo. Você não pode dizer, por exemplo, que uma música de Tonico e Tinoco é uma música de raiz, pois eles ganharam dinheiro com isso, trabalharam com isso, a gente sabe quem é o autor, e a gente sabe que eles também foram influenciados pela música raiz.

A impressão que se tem é que você trabalha muito a vontade, pois está ''em família''. O Almir Sater, um dos seus grandes parceiros, é seu compadre. E agora, seus filhos te acompanham na música..
(risos) É, ele é meu compadre, o irmão dele é casado com a minha filha, e já tem duas meninas com o sobrenome Teixeira Sater. Agora meus meninos tocam comigo, pois eles também são músicos e compositores, estão começando a carreira. Eles conhecem as minhas músicas desde que nasceram, então é uma forma de colocá-los na estrada também, para eles começarem a aprender como é que é o trajeto da profissão. Além disso, tem a qualidade de som que eles acrescentam na minha música por terem vivenciado essas canções de uma forma diferente. Eles praticamente foram criados por essas canções.

O que Renato Teixeira ouve hoje em dia?
Eu posso dizer que eu ouço o que estiver tocando. Não saio correndo atrás, pois já ouvi muito. Eu estou mais cercando os meu filhos que, através da internet, ficam baixando músicas do mundo todo. O mais novo, João, tem um vínculo muito grande com o rock progressivo, ele baixa músicas que às vezes vem de uma garagem lá da Irlanda. Então fico vendo o que a moçada está fazendo, deslumbrado (risos).

Serviço:
- Circuito Cultural Banco do Brasil - Shows de Renato Teixeira. Amanhã, às 21 horas e domingo, às 20 horas. No Teatro Marista (Rua Maringá, 78). Ingressos: R$ 15,00 ou R$ 7,50 (estudantes, aposentados e clientes do BB com apresentação do cartão de crédito ou débito), e mais 2 Kg de alimento não perecível. Mais informações: (43) 3377-2250.

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