Quatro localidades da Europa serão tomadas por ações criativas de quatro artistas plásticas brasileiras. Beth Moysés faz nesta sexta-feira uma grande performance com cem mulheres em Sevilha, na Espanha. Adriana Varejão inaugura no dia 17 uma exposição individual na Fondation Cartier pour l'Art Contemporain, em Paris. Regina Silveira está preparando uma obra especialmente para o Palácio de Cristal do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madri, que poderá ser vista a partir de 12 de maio. E Ana Maria Tavares também ocupa, em abril, as instalações de uma instituição, a Culturgest, na cidade do Porto, em Portugal. Cada uma delas trabalha com poéticas diferentes.
O trabalho da paulistana Beth Moysés é o mais instigante do ponto de vista feminino. Sua densa produção sobre a violência contra mulheres já rendeu uma série de performances e obras realizadas desde 2000 tanto aqui (em São Paulo e Brasília) quanto na Espanha - mas, diga-se, o tema do universo feminino vem sendo trabalhado por ela há muito mais tempo.
Na obra de Beth, embora não seja correto dizer que ela pratique uma arte ''feminista'', a artista lembra que o problema muitas vezes está dentro de casa mesmo, quando esposas sofrem abusos, violência física. Na ação que ela leva a Sevilha, mulheres vestidas com o traje do casamento carregarão objetos doados por outras que também sofreram violência. ''As mulheres elegeram coisas que consideram importante extrair da sua vida e eu levarei para Sevilha essa mala de mágoas'', diz Beth. Cartas - muitas lacradas - , fotos, papéis, anéis, aventais com desenhos simbólicos, álbuns de casamento, camisola, canivete, uma garrafa de bebida vazia são alguns exemplos do que foi reunido. Depois de uma caminhada, as mulheres formarão um círculo e queimarão os objetos em praça pública.
Já as outras brasileiras, Adriana Varejão, Regina Silveira e Ana Maria Tavares, apresentarão obras que ocuparão instituições inteiras. Chambre d'Échos (ou, numa tradução, Câmara de Ecos), que poderá ser vista até 5 de junho na Fondation Cartier, reunirá obras de diferentes anos feitas pela carioca Adriana Varejão. Regina Silveira prepara o projeto Lumen, formado por três obras. A luz que entra no Palácio de Cristal, cujo teto de vidro permite uma incisão intensa - é a fonte principal dos ''jogos de efeitos'' que a artista cria a partir da própria arquitetura do local.
Ana Maria Tavares vai apresentar a instalação Paisagem para Exit II, versão de obra apresentada na Bienal de Istambul de 2001, na Culturgest - que também tem sede em Lisboa - até 22 de junho. ''Ao adentrar o grande hall octogonal, o visitante se verá diante de uma arquitetura multiplicada em espelhos'', conta a artista.

mockup