Livro reúne perfis de 900 mulheres brasileiras que tiveram destaque na vida política, social, religiosa e cultural do País. Um verdadeiro resgate da participação feminina desde o Descobrimento
É possível selecionar em uma única obra literária as mulheres de maior expressividade no Brasil desde o período do descobrimento? A editora Jorge Zahar apostou nessa idéia e lançou no mercado a primeira obra de referência sobre o tema, o ‘‘Dicionário Mulheres do Brasil’’. O livro reúne numa mesma roda 900 verbetes biográficos e temáticos, com a proposta ambiciosa de ser peça obrigatória para o estudo da história brasileira.
Para o levantamento de dados biográficos foram esmiuçados os arquivos públicos e bibliotecas de várias capitais do Brasil e, principalmente, aqueles localizados no Rio de Janeiro, que ainda concentra grande parte dos acervos documentais do País. Os coordenadores focaram luz sobre a história de mulheres cujas vozes não foram ouvidas, mostrando também aquelas que viveram à margem dos anais históricos oficiais. Por isso, nomes relegados ao esquecimento pelos historiadores aparecem pela primeira vez em obra de referência.
A editora contou com um comitê consultivo na seleção dos nomes femininos relevantes, que de alguma forma contribuíram para a transformação social. A data limite para reunir os nomes contemporâneos foi 1975, o que deixou de fora muitos nomes de projeção da atual história brasileira. Em função do acervo pesquisado e pelo contexto histórico, as mulheres cariocas e nordestinas aparecem em maior número. Os organizadores ressaltam na apresentação do livro que a história das mulheres é uma história recente.
No Paraná, o número de mulheres que emergiram do anonimato para os anais da história ainda é muito reduzido, segundo o ‘‘Dicionário de Mulheres’’. Citadas no livro figuram Cordélia Ferreira (1898-?), radioatriz, e Júlia da Costa (1844-1911), poetisa. As duas, por acidente geográfico, nasceram no Paraná e se mudaram ainda pequenas para outras paragens. O Dicionário ainda cita Leonor Castellano (1899-?), professora e feminista.
O único destaque paranaense recai sobre a professora Júlia Wanderley, (1874-1918), profissional da educação que abriu caminhos para outras moças da época ao ser a primeira aluna a cursar a Escola Normal, só frequentada por garotos. Foi também a primeira mulher a formar-se professora no Paraná. Considerada pelos colegas como advogada do professorado, colaborou com a imprensa local no jornal ‘‘Operário Livre’’, escrevendo artigos sobre educação, pedagogia, questões sociais e ciências.
‘‘Dicionário Mulheres do Brasil’’, organizado por Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil, Jorge Zahar Editor. Preço: R$, 49,00.

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