Brasil volta a competir em Veneza
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sexta-feira, 27 de julho de 2001
Carlos Eduardo Lourenço Jorge De Londrina Especial para a Folha 2 
A organização da 58ª Mostra de Cinema de Veneza anunciou ontem durante coletiva em Roma os filmes selecionados para concorrer ao Leão de Ouro. O Brasil vai ser representado por Abril Despedaçado, de Walter Salles, realizado em co-produção com a França e a Suíça. O cinema brasileiro não era selecionado para Veneza desde 1997, quando outro Walter, o Lima Junior, apresentou A Ostra e o Vento, mal recebido pela crítica internacional. Outro brasileiro este ano em Veneza é Julio Bressane, com Dias de Nietzsche em Turim convidado para a seção paralela Nuovi Territori.
A grande novidade da primeira edição veneziana do milênio é uma segunda mostra competitiva. Além da principal, Venezia 58, com 20 longas concorrendo aos prêmios tradicionais, os Leone dOro, neste ano a seção Cinema del Presente aparece como um novo concurso, também com 20 produções disputando os Leone dellAnno. Ao anunciar a alteração, o diretor do festival, Alberto Barbera, justificou dizendo que antes de ser uma nova competição, é uma competição nova, com filmes do momento, em suas diversas tendências e componentes, filmes de estréia e longas à margem, com intenções claras de inovação e de originalidade.
Ao contrário de Cannes seu concorrente mais próximo e que este ano ofereceu uma seleção de bom nível no entanto com ênfase em nomes consagrados , Veneza-2001 está mesmo apostando em ampliar o rol de novidades. Uma rápida olhada na relação dos 40 filmes das duas mostras competitivas informa que é alto o índice de cineastas pela primeira vez incluídos na seleção. Além de Walter Salles, outros 11 jovens realizadores nunca tinham concorrido no festival. Devem merecer atenção especial as entradas do espanhol Alejandro Amenábar, do macedônio Gorán Paskaljevic, do iraniano Babak Payami e do chinês Fruit Chan, entre outros. Consagrado mesmo em vitrines internacionais diversas só o inglês Ken Loach, o último esquerdista romântico na contramão ideológica do milênio.
Na recheada programação paralela, destaques para o último Woody Allen e para o filme de abertura, Dust, que marca o retorno do macedônio Milcho Manchevski (Antes da Chuva).


