A maior surpresa no programa oficial anunciado ontem em Roma por Marco Muller, diretor artístico da mostra veneziana, este ano em sua 65 edição (27 de agosto a 6 de setembro), foi a presença ostensiva da Itália, que emplacou quatro títulos na seção principal, Venezia 65, concurso que premia o melhor filme com o Leão de Ouro. Espera-se que a qualidade dos anfitriões, sempre problemática, esteja à altura da quantidade. Ao todo, entre 2.429 longas metragens inscritos, a curadoria da Mostra Internazionale d'Arte Cinematográfica (título oficial e histórico do festival) selecionou 49 filmes para primeira exibição mundial e cinco longas em pré-estréia internacional.
Outra surpresa, no mesmo segmento, é o prestígio confirmado da Ásia entre os italianos - muito maior do que nos certames concorrentes de Cannes e Berlim. Só o Japão teve três filmes selecionados, sendo dois longas de animação e a volta do celebrado Takeshi Kitano. Os Estados Unidos, como sempre, comparecem com vários títulos - cinco ao todo. Mas isto não é novidade, já que Veneza investe habitualmente no trânsito intenso de celebridades midiáticas, e estas somente comparecem via EUA.
O Brasil, quem diria, abrirá oficialmente o festival italiano com o curta-metragem ''Do Visível ao Invisível'', produzido por Leon Cakoff e Renata de Almeida, diretores da Mostra Internacional de São Paulo, e dirigido pelo veteraníssimo português Manoel de Oliveira. O filme antecede o longa de abertura, ''Burn after Reading'', dos irmãos Coen em chave de comédia.
O Brasil entra na mostra competitiva com duas produções : ''BirdWatchers'', dirigido no Mato Grosso pelo argentino Marco Bechis; e ''Plastic City'', de Yu Likwai, ambientando em São Paulo, ambas co-produções da Gullane Filmes. O primeiro é drama sobre relações tensas entre índios guarani-kaiowas e fazendeiros na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Já o segundo é misto de drama com artes marciais e tem co-produção da China.
Os irmãos Caio e Fabio Gullane também conseguiram incluir na seleção oficial o novo filme de Zé Mojica Marins, o Zé do Caixão: ''Encarnação do Demônio'', que será exibido na prestigiosa série de ''eventos especiais fora de competição''. Velho freguês de Veneza, o carioca Julio Bressane está de volta à mostra Orizzonti, o equivalente ao Certain Regard de Cannes, com o filme ''A Erva do Rato'', co-dirigido por Rosa Dias.

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