Brasil tem vocação fashion
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sexta-feira, 29 de agosto de 1997
Guto Barra Nova York 
Terry RichardsonA modelo e atriz russa Milla Jovovich: foto para o novo catálogo da EllusO mercado brasileiro de moda começa a ser visto com outros olhos pelos profissionais que ditam as regras do universo fashion internacional. Uma reportagem de capa publicada semana passada pelo jornal Womens Wear Daily - que vem sendo a Bíblia da moda norte-americana nos últimos anos - mostra o Brasil como um dos mais promissores mercados para marcas internacionais.
A reportagem do WWD confirma uma tendência que veio crescendo nos últimos anos, de que o Brasil está deixando de ser aquele país esquecido no mapa da moda. Se na Europa nomes como Ocimar Versolato e Clements Ribeiro chamam atenção para o país, nos Estados Unidos o crescimento é diferente.
A presença de profissionais se destacando no mercado nova-iorquino, como a estilista Jussara Lee (que está inaugurando sua primeira loja na cidade, depois de participar de várias temporadas de moda) e a chapeleira Claudia Rapisarda (que além de chamar atenção com sua marca, vem trabalhando ao lado de Todd Oldham, um dos estilistas mais observados pela imprensa especializada) vem colaborando para uma visão própria do potencial brasileiro.
O intercâmbio de serviços proporcionado pela produção de catálogos de marcas como Ellus - que tem a modelo e atriz russa Mila Jovovich (de O Quinto Elemento) como destaque da sua campanha de verão - também serve de vitrine para a produção fashion do país. Com fotos do norte-americano Terry Richardson, todas feitas em Nova York, o novo catálogo da grife será lançado no Brasil em outubro.
Outra prova de que o Brasil está na mira da moda mundial vem da diretora do Council of Fashion Designers of America, Fern Mallis. A entidade é a responsável pela organização da campanha O Câncer de Mama no Alvo da Moda, entre outras coisas. O Brasil foi um dos países onde a campanha foi mais bem-sucedida, diz Mallis.
O sucesso de eventos como o MorumbiFashion Brasil vem colocando o mercado brasileiro mais próximo ao universo nova-iorquino - muito mais do que o de Paris, por exemplo. O formato de uma moda mais preocupada com o consumidor do que com a moda-arte vem se mostrando cada vez mais fiel ao que acontece no Seventh on Sixth - a semana de moda nova-iorquina.
Em três páginas, o jornal explica o sucesso do Plano Real e credita a explosão das marcas internacionais à liberação da importação. Segundo a reportagem, por causa da competição que passou a existir com as roupas importadas, as marcas brasileiras tiveram de correr atrás de um novo padrão de qualidade. São citadas a Zoomp e a Forum como exemplos de marcas que passaram a usar materiais mais caros e sofisticados para concorrer com a disponibilidade de roupas como as de Donna Karan, Dolce & Gabbana e Prada, vendidas em butiques como a Daslu, em São Paulo. A loja é citada como o mais poderoso ponto-de-venda de importados no país.


